quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

HURTS


Não quero me perder, de novo. Seguindo os passos da positividade e do otimismo, deixando o passado onde ele deveria ficar, sem preceitos ou angústias para não estragar o presente.
A dúvida que sempre irá lhe perturbar à noite parecerá mais fácil de ser solucionada, e posteriormente a alternativa escolhida será mais fácil de ser aceita e vivida. Quando me perco pensando em nada e me acho pensando em tudo que posso, vejo as oportunidades baterem a minha porta, às várias portas, mas não sei ao certo se possuo a chave de todas elas, que parecem blindadas.
Tenho que conferir meu molho de chaves  e conferir, de fato quais portas eu posso abrir e dizer: venha.
Mas, em meio à solidão confortável que abita minha mente e meu coração, tudo vai sendo enviado a essa cratera, afundando, afundando, e ela vai engolindo tudo que poderia ter sido risos, conversas, conversas com risos, a intensidade dos segundos e a sensação prazerosa de estar vivo.
Mas recentemente estive pensando em sair dela, e saí.
Mas antes disso, deve haver uma retrospectiva, para entendermos o fato de tal solidão que consigo trazia amargura, arrogância e misantropia.
As decepções me afligiram a tal ponto de não querer mais sair do quarto. Me ignoraram, me frustraram e principalmente me enganaram. Como se não bastasse a própria humanidade ter me passado a real imagem dela, individualmente os ''laços'' que eu fingia ser recíprocos, me torturaram de forma violenta, como se estivesse tendo todos os orgãos  de forma cronológica até o êxito de sobrarem o coração e o cérebro, para a dor se tornar constante e intensa. Me dobrei, e tudo que queria era fechar os olhos e não ver mais nada, não pensar em nada, não sentir mais nada, mas  a gradação não era completa. Fui me tornando o oposto do que queria ser, e quando me tornei, para me recuperar tive que me tornar o oposto novamente do que era e do que queria ser, tive que me tornar o que não queria, e aceitar o que não queria, tudo foi descendo lentamente, ardendo como álcool etílico, foi tanto, que me parecia ter tido um porre.
Quando percebi  que estava acontecendo não quis acreditar, fora tão recente e doloroso novamente, mas era uma dor boa de ser sentida, um amor platônico o qual eu aproveitava ao máximo, com uma máscara que utilizava para fingir estar tudo bem, pois não queria estragar tudo aquilo com revelações.
Me sentia entalado, com algo que sabia a reação pós ação.
Mas  nessa fase de minha vida, foi doce e  vazia, um vazio só meu que somente uma pessoa podia preenchê-lo, mas sofrer em silêncio foi o melhor a fazer.
Agora, tento me permitir, e sair, desta zona de conforto, com esforço e perseverança, mas quando finalmente encontro algo o qual quero  aproveitar, me desmancho e saio com o medo a vagar, sobre minha mente que só quer recuar, mas estou disposto ao que a vida me guarda, pois de todas as relações que tive, de todos os amores, o citado foi o que me causou menos danos, pois ainda me deixou o cérebro e o coração para o final, apesar da imensa dor.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sozinho eu vou
fazendo tudo
que alguém faria
se não soubesse demais
ou soubesse de menos por achar que sabia de mais
dessa vida ninguém se distrai
você nunca fugirá dela
a não ser a morte
mas não estive muito afim dela ultimamente
posso ver uma luz no final do túnel, que não tem fim fim fim
não sei onde eu pararei
mas seguirei a luz
para alguém que tem nictofobia isso é o máximo
de zero
eu espero
o vazio = nada
que estraga
o zero
eu espero
que essa vida
seja diferente
de tudo que eu espero
e seja igual
a tudo de bom
que seja eterno
o terno
que visto
para o cemitério
onde os números
racionais 
não seja uma  fração
mas metade metade
do meu coração
onde haja luz
e não haja escuridão
''é ruim em''
                   diz o poeta 



sábado, 22 de novembro de 2014

Desapontando

Desapontado eu vou, andando nessa estrada que parece não ter fim.
Essa rota chamada tristeza, essa zona de conforto repleta de lembranças e sentimentos, que se misturam e formam uma sinestesia tão amarga, tento evitar o memorialismo, mas ele me persegue e sempre me capta, como se não tivesse mais nada para fazer.
Desapontado eu vou tentando encontrar algo que me faça ir além, e acreditar que algo vai mudar, sinto o medo que nosso amigo Chico Buarque sentiu, tão longe de ser incerto, as coisas mudaram.
Desapontado eu desaponto todos ao meu redor, que esperam demais, do que parece de menos para eu dar a eles. Fico desapontado com tudo que não concorda comigo, com qualquer reformulação na gramática ou na  filosofia emblemática, que os conceitos tem de ser cada vez mais medíocres para se dizer social, de que tudo muda, tudo mudou e tudo mudará, certamente não melhorará socialmente, ecologicamente, historicamente.
Mas estarei a desapontar principalmente a vida, por não saber aproveitar a arte de número zero, ainda não descobri como aproveitá-la, por isso vou carregando-a na parte posterior de meu corpo.
Pior seria se eu fosse um daqueles que resume a complexidade da vida ao bem e o mal, merecemos mais, para não sermos tão desapontados a ponto de não conseguirmos essa resposta.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Resposta

Minha maior tristeza é, não menos, que enfrentar a realidade
de nunca ter sido amado reciprocamente ou platonicamente.
Minha maior alegria também é essa, alegria falsa essa minha,
já que também sofro por não amar.
Entre sofrer por amar e ser amado ou amar e não ser amado
ou ser amado e não amar, prefiro agraciar a existência de
um alguém para atribuir a culpa de minha dor, assim a
lágrima teria sua resposta.

sábado, 1 de novembro de 2014

O Relógio Não Espera

O relógio não espera e nem todo mundo vive da epifania.
O presente deve ser vivido, pois este é a construção do futuro, a epifania é um luxo mental que só deve ser realizado por aqueles que já terminaram sua construção.
Seja menos memorialista, observe o  presente e veja as oportunidades de conseguir material para seu castelo, edifício ou uma simples casa. 
Deixe de lado este saudosismo exacerbado e repara na arquitetura de sua construção, está indo da forma que você quer? Como já dizia João Cabral de Melo Neto, você é o engenheiro de sua vida e a cada hora que passa, cada conversa, cada estudo, cada sonho, quaisquer amigos e paixões fará parte de sua construção. 
Repare ao seu redor, olhe para si, você tem utilizado os alicerces mais fortes para sua construção? Não está utilizando barro ao invés de cimento? Está desenvolvendo algo forte o suficiente para suportar várias tempestades?
Não?
Não se permita crescer, envelhecer e depois de muito tempo o sonho ainda ser um sonho.
Se atreva, faça o que todos duvidam que você seja capaz de fazer, transforme algo louco em algo comum, seja inovador, vá tão longe que nem mesmo um trem bala poderá lhe alcançar.
A simplicidade sempre traz consigo algo de novo, que lhe trará experiência através do erro.
Seja um criativo, louco, seja criança, mas agora com a possibilidade de realizar e de viajar.
Não fique observando o relógio, note que ele trabalha preguiçosamente quando observado, ele se intimida, pois o tempo não é feito para ser observado, mas para ser analisado e vivido.
Não permita chegar à velhice e sentir remorso, remorso este fruto da observação de que a sua construção está pela metade e a vida está acabando, já não há mais tempo, o lado de cima da ampulheta esvaziou.
Quais são seus planos? Realize-os.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Tela em preto e branco

Pouco a pouco vamos morrendo, cada segundo nos consome.
Na tristeza dessa proeza que se chama viver.
Muitos dizem que o sentido da vida é fazer dela a maior arte de todas através do amor. 
A vida é uma tela em preto e branco, o amor seria a aquarela.
Há mais amor no silêncio e na aproximação do que em falácias estapafúrdias ou no beijo que desce rasgando.
Não quero estar longe, não quero sentir o que chamam de saudade, então por favor não venha, se vier, esteja sempre ao meu lado, não precisa falar nada, ou então fale.
Isso se deve ao fato de que em certo estágio relacional, palavras não expressam toda a infinitude de seus sentimentos, porém há o sentir, o doce sentir.
Desejo não ser abrigo desta moléstia que inibe sua razão e te leva a infringir princípios, retirar armaduras e guardar armas.
Seria ele o analgésico para a alma?
Por meio de ilusões e frustrações persuasivas?
Alguns dizem que quem não foi habitat do amor, não sabe a sorte que tem. 
Outros defendem que os indignos do amor estão  perdendo a fascinante magnitude que nem os mais  sábios puderam descrever com exatidão, pois não haviam adjetivos e sensações o suficiente.
Bem, acho que sou um sortudo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sonhos merecem a realidade

O mais fascinante no sonho, é a ação de sonhar.
O mais fascinante na ação de sonhar, é o sonho.
O mais empático entres estes dois, é a oportunidade
de idealizar o mundo como você quer, da forma que
você quer, com o que você quer, com quem você quer.

O mais emblemático no sonho é que qualquer ser 
pensante pode realizá-lo, a oportunidade de poder
ser um deus corriqueiro, transformando todos em
irmandade condicional, onde não haveria os piores 
sentimentos:
Medo;
Raiva;
Frustração;
Tristeza; 
Decepção;
Angústia;
Rancor; 
Humilhação;
Traição;
Ódio;
Ingratidão;
O mais decepcionante no sonho, é a ação de sonhar.
O mais apático na ação de sonhar, é o sonho.

Amor

Amor?
Amar?
Amando?
Amou?
Amará?
Amenizando?
Adiantando?
Aflito!
Assisto!
Aquilo!
Amor?
Olá.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cafeína e persistência

Onde você se encontra?

Em todos os lugares que olho.
Na janela embaçada, ao som dos pássaros que de certa forma não me agrada.
Nos livros que leio, no sono profundo, na corda quebrada do violão.
Nos vultos que me assombram, no escuro que me apavora, nos carros em contra mão.
Na tristeza que me aflige, na música que não mais me conforta, no frio que me fazem ranger os dentes.
Na terceira xícara de café, que não sei por que mais amarga, me embaça os óculos, em contraposição de minha preguiça.
No incômodo acomodado, no arrumado desarrumado, meu desarrumado, meu incontestado.
Em minha mente caótica e neurótica, que no início disso tudo queria fazer rimas, pobres rimas.
No silêncio turbulento,  nos sangue que escorre sobre meu dedo, depois por todo antebraço e posteriormente sobre meu braço, formando traços que me lembram aquele seu vestido, aquele seu olhos, aquele seu eu.
No tempo que vem passando, devagar, tristonho, ou rápido demais. Mas esse remorso, que se alastra em forma de cafeína sob meu corpo, me faz ir de desencontro a você, não persisto mais na memória, na felicidade.
Dou sete passos até porta, caminho entrelaçando os pés, quando de repente passa um helicóptero, que imagino pousando, mas com certeza não traria você, ele me traria a verdade frustrante de que tudo passa, menos você.

sábado, 2 de agosto de 2014

Ontem, hoje e o tédio

Hoje eu acordei por volta das 4:00 horas da madrugada com vontade de fazer algo, mas eu fiquei sentado, na cama, perdido no vazio que me assombrava. Tenho um problema com isso, achar que sempre está faltando alguma coisa, ou alguém, até mesmo quando estou em companhia, posteriormente vem aquela sensação de remorso, trazendo o pensamento do que devia ter feito, falado e do que não devia ter feito ou  falado, mas você não se sentiu a vontade o suficiente, mas desejaria navegar em um mar de ideias. 
Minha manhã foi passando devagar, com persistência, como se não quisesse se tornar vespertina. Saio do quarto, onde passei 95% de minha vida até hoje, talvez seja mais, mas ele não é como eu queria. 
Minha mãe reclama dos sapatos fora do lugar, diz que antes eu não os deixava assim. Quase fechando a porta, eu a reabro, tenho que arrumar essa bagunça, afinal, antes eu não deixava isso acontecer, nem aquele livro empoeirar, nem tantas roupas no cabide. Mas eu estava cansado de tudo ali, tenho muita coisa para fazer ainda mais vivo a procrastinar, deixando para depois o que eu posso fazer agora, como beber água. 
Mas eu bebo, talvez seja a única vez que tenha bebido água durante 24 horas, sempre gostei

mais de água para banhar, água é a bebida que menos gosto e minha substância química
predileta.
Depois do banho congelante, esqueço a toalha, faço uma reflexão sobre isso e

hesito em gritar minha mãe, por que isso ocorreu? Eu começo a me achar estranho e ridículo
ao fazer isso, eu caminho devagar até o quarto, deixando rastros de alguém com lapso e déficit de atenção, sobre aquilo que faz ou irá fazer, penso que é melhor correr, e corro, frustrante mesmo seria alguém ver meu pênis, as nádegas nem me importo.
Passo horas procurando os óculos, o achei dentro da geladeira, eu tinha tirado para
limpá-lo quando estava bebendo água, quer dizer, antes de beber, não conseguiria fazer ambos
simultaneamente, mas quem limpa os óculos de geladeira aberta?
É só o frio bom nos pés, ainda não é tarde.
 Chegada a tarde, o meu eu coletivo grita por diversão, mas é só o tédio que consigo,
para animação de meu eu solitário, que se diverte, dança, se embriaga e explode em emoção,
sozinho.
Ligo a TV e incrivelmente está passando uma reportagem sobre submarinos, sempre
tive piração por submarinos e helicópteros.
Finalmente chega a tarde, que traz com ela mais tédio, eu começo a desenhar um submarino, tomando meu café com leite e comendo bolacha,
sempre gostei de fazer várias coisas ao mesmo tempo, todavia isso não é bom, você não se
foca em nenhuma das três atividades, deve ser por isso que o café derramou sobre meu desenho,
até o café com leite está contra minha diversão (sim, desenhar submarinos é uma mega diversão
para mim), a noite logo chega e saí de casa somente uma vez no dia, apenas para comprar o leite que
tinha acabado, a noite é breve.
Já é madrugada, e eu me pego sozinho na cama, com um desenho melado de café, pensando no que desenhar neste outro dia.
Desta vez eu não sairei da cama.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Imperfeita

Não procuro o que há de melhor, não procuro o perfeito.
O perfeito é um saco, me enche a paciência e me entedia.
O simples e sutil incrivelmente me fascina, me convence. 
A tristeza certamente é uma zona confortável de onde 
quero sair, porém não quero. 
Mas se for necessário para encontrar você, 
permanecerei aflito, ansioso, tentando ver a luz na penumbra.
Talvez eu tenha deixado-a ir, mas por que eu faria isso?
Ela se foi, e está em todos os lugares que não fui, em todas
as palavras que ainda não disse, em todas as coisas que
ainda não aprendi. 
De fato nunca fazemos o que queremos,
nunca somos o que queremos, nunca agimos como queremos.
E nesse não fazer, eu perco você para minha estupidez.
Nessa manhã fria e nublada, ponho um pouco de café puro,
sem açúcar, porém menos amargo do que sua ausência, do que seu 
desconhecido.
Eu adoço um pouco, pois de amargo basta isso, isso de não conhecer você. Imagino como seria eu, você, nós.
Um farto do outro, possuir você em demaseio, até me causar
ânsia de vômito. 
Até ter ataques e ser atacado por você, 
com um sufocante abraço de comer cabelo.
Ah! Que doce abraço, tão utópico. 
Mas doce mesmo é esse seu jeito, 
de ser perfeitamente, imperfeita.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sexta-feira

Nesta sexta-feira, somos as pessoas  zonzas, sem nada a fazer.
Talvez eu tome um milk-shake, talvez eu tome coca-cola, talvez eu tome café mesmo, tanto faz como tanto fez, mas quem se importa?
Talvez não seja a vontade de ter tudo como eu quero, mas que egoísmo!
Você fica num estado de ambivalência, sem querer ter saída, mas você tem.

Nesta sexta-feira, aproveite sua juventude, mas não seja epistêmico, acredite, o melhor é agora ou talvez não haja o melhor, há o menos pior, e o pior pior.
Talvez nada mude, mas tudo muda. 
Falta-me o fôlego, quando penso no futuro, por que tanto me perturbas? 
Penso nisso todas as vezes que escovo os dentes, desde os seis anos, quando adorava a escola e já pensava nisso, juntando a dúvida de qual cor do power ranger escolher, qual desenho pintar, formavam minhas três preocupações.

Nesta sexta-feira caótica, entediante e remota. 
Todas são iguais, tem um silêncio infernal, repleta de ausência e luzes, mas por que não consigo dar passos até elas? 
A verde é minha predileta, é a que mais me chama a atenção, a mais ofuscante.

Nesta sexta-feira, vamos sair, chame seus amigos, aonde estão? 
Parece que saí do caminho da luz, estou no obscuro novamente e olhem só, escovando os dentes.
Ouço um som eufórico, talvez seja o ''som da sexta-feira'', bem distorcido por sinal, mas não me parece nada convidativo, a nostalgia também estava presente.
O momento de mais choque foi quando olhei o calendário e percebi, que nem era sexta-feira.

domingo, 27 de julho de 2014

Sorvete de limão




Um dia saí para comprar sorvete, pedi de limão, tinha romeu e julieta também, eu pedi, mas odeio goiabada.
Na volta para casa, quase chegando à minha quadra, quase terminando o meu sorvete, na metade da última bola, que era a de sabor estranho, não convencional(queijo em sorvete, normal), eu tropeço, e deixo, na verdade eu não deixo, o sorvete cria vida própria e salta da minha mão, caindo bruscamente sobre o chão empoeirado, estagnando minha ânsia de comer a casquinha. O dia escaldante que me atordoava, fazia o sorvete derreter lentamente, de repente o sorvete começa à se configurar, e inundar a rua, o bairro, a cidade, e todos se transformam em uma matéria só, até eu, causador daquilo tudo, utopia sempre foi minha fascinação, e poxa, eu estava vivendo-a, será? Fico imóvel, vendo isso tudo acontecer, enquanto aprecio minha aparência de sorvete, todos são sorvete, os cachorros deslizam como loucos pela rua, de sorvete, eu corro, e encontro, alguém, que vem me abraçar, como se nos conhecíamos há um bom tempo, ela me diz que, ficará comigo, e jamais me abandonará, até que algo explode, gerarando um vácuo, perdido, com frio, avisto partículas de sorvete, e uma única estrela, longe, que se paga, simultaneamente me deparo com o sorveteiro, me perguntando: já decidiu o sabor? Sim, limão, aliás, tem romeu e julieta?


Agulhas e lágrima

Oi, como você está?
Uma pergunta que nem sempre a preocupação é verdadeira, nem sempre a resposta é verdadeira,  ou talvez não haja resposta.
Sabemos que, gera conflitos internos devastadores. Seria 30 minutos o necessário para exclarecer o que há, o que seria reagido de críticas e julgamentos pré estabelecidos de forma voraz.
Nada está bem, nada vai bem, onde estará a próxima saída?
Todos estão contra tudo, contra você, ninguém entende você, e o absurdo agora te convence, que não é mais absurdo. Será nele que você se confortará, estabelecerá seu futuro, seu presente.
Você se sente preso, isolado, sendo perfurado por mil agulhas, numa- banheira cheia de água,  com temperatura à -3 °C, você anseia pelo calor, pelo movimento, pelo viver. Nada te agrada, nada te anima, nada, é apenas o que você tem.
Você percebe que o que lhe resta, é esperar, e o pensamento de que isso, também pasará.
Desesperadamente você tenta buscar na imaginação,  tudo que você precisa,  tudo que você quer, torcendo para se tornar real, infiltrado em devaneios exacerbados, os quais você tira um para dançar, em passos e giros loucos, você cansa, hesita, embalado por esses sonhos.
O sentimento de solidão que você despeja de forma ardente, em quem mais se importa com você,  mas você se acha um verme,  a culpa já não cabe completamente em você,  se torna muito cansativo,  você se acha peculiar. mas depois de muito ter passado, você tenta mentir para si, acreditando erroneamente que estava certo, com um gosto de morte que parte do coração, uma lágrima quente escorre beijando seu rosto. Aproveite se você pode abraçar alguém, que não esteja nos seus sonhos.
Eu estou "muito bem", obrigado.

Agonizando

Já não posso suportar, esta mentira desencadeada.
Já não posso suportar, esta falta de palavras escolhidas.
Já não posso suportar, esta falta de semântica genuína.
Já não posso suportar, esta regressão, que se estende como um sismo sobre minha mente.
Já não posso suportar, esta nostalgia que não posso controlar, que se esconde atrás de meus olhos.
Já não posso suportar, estas ideias frívolas, que nada dizem, mas que são aceitas.
Já não posso suportar, esta voracidade perturbadora, que parte do outro, em direção de meu tórax.
Já não posso suportar, este cheiro de espera, de nada vai, nada vem, tudo fica.
Já não posso suportar, este preço estabelecido, desses produtos banais, dessa rotina que odeio.
Já não posso suportar, este café amargo, que nunca é adoçado.
Já não posso suportar, este café doce exageradamente, que nunca esfria.
Já não posso suportar, este livre, em cativeiro, o fim se aproxima.
Já não posso suportar, este tempo, que de minuto em minuto, está me matando.
Já não posso suportar, este sensação de sempre estar sozinho, rodeado por multidões.
Já não posso suportar, o simples fato de estar suportando.

Meteoritos


Tudo está desmoronando, tudo está se acabando, tudo está impulsionado à morte constante, à destruição, ao sopro, ao piscar de olhos.
Você tenta não lembrar do que houve, pelo que já passou, mas a memória está com você, parecendo ser "útil" agora, você torce para ser acertado por um coco na cabeça,  mas tudo que a acerta são as lembranças.
Não há ninguém para ajudar você, você está sozinho, tudo que você faz, parece em vão, você pensa seriamente em desistir, por que parece que você só vai para trás.
E se o melhor for agora?
Que diabos! Não dá para acreditar, se está tudo tão mal, tão vazio, tão morte.
Crie luzes, estrelas,várias estrelas, uma chuva de meteoros, somente sua, sem que as transforme em meteoritos, siga cada uma, deixe as pessoas de lado, faça amizade com os monstros pelo caminho, eles ajudarão você.
Ou talvez tenha que destruir tudo, o planeta, construa outro, faça uma explosão.
Não ser bom em nada, se torna uma coisa inútil, deixando você inerte, afinal, isso  não é ser bom em alguma coisa? 
Mas não tão bom assim, talvez nada esteja prestes a mudar, mas ainda sim você poderá não ficar para baixo, mas algo parece move-lo, puxa-lo, e você vai afundando, como se estivesse numa areia movediça de chocolate, de tristeza infinita, perdendo a respiração, esmorecendo, nessa doce inibição psicomotora, esperando...
Esperando por?

O amor em declínio

Estive pensando no ontem,no antes,no antecessor, nos velhos tempos,na infância.
Quando ficava admirando os seus cabelos castanhos claro, ao pé de dourado, que me fascinavam, me seduziam, me amavam.
Nada era fácil, nem mesmo meus cadarços desamarrados, pisados, cobertos de poeira.
O frio inconveniente que me secavam os lábios, violando minha barreira cutânea, formando leves rachaduras.
Triste melancolia que se passava ao meu redor, que me faz virar de repente, me fazendo observar o amigo que passava, me fazendo enganchar a unha mal cortada, na costura solta do meu cardigã, próximo do botão solto. Fecho o botão.
O olhar súbito que nos encaixa, nos afasta, nos embaça, nos entrelaça, nos manipula.
O amor está presente, em você, em mim, na sua pele pálida, na sua fascinação, no seu encanto, no seu estímulo, no seu gorro, na nuvem que nos pesava aos olhos, súbitos olhos, em meu amigo, que nos observava.O amor, parece ser ele que me arranca a clavícula, depois minha mãos, de forma rígida, faz espirrar sangue, em meu amigo, no guarda-chuva dos tutsis do genocídio em Ruanda que ali passavam. Pareciam entender. Agora olho para você. Onde está você? Só encontro o amor, o sangue, uma memória vaga de abraços sufocantes, que vai evanescendo, o tânato me domina, mas por que não dominaria? canso disso.
De todos os amores que suportei, esse foi o que me causou menos danos. meu amigo desiste de me observar.
O delírio é o meu amigo.

Prédios e sangue

Não consigo dormir.O que há de errado?São apenas 02:00 horas da madrugada de hoje, ou de amanhã, ou de ontem, sei lá.O que te faz deitar a cabeça pesada sobre o travesseiro,  virar para todos os lados, agarrar  a almofada e não conseguir dormir?Batendo no acomodante colchão, com seu cotovelo cansado de todas as posições que foram frutos de suas tentativas frustradas de querer dormir, descansar, sonhar, acordar.O som da chuva vira meu inimigo, a brisa fugaz, meus pés calçados com meias, frios e ásperos, formam a tríplice, "obrigado"! Mas eu não consigo dormir.Sinto vontade de chocolate quente, sento-me na cama espontaneamente, ponho o pé esquerdo no chão frio, mas sou vencido pela preguiça, que conta a quantidade de passos até a cozinha, desisto.Agora rinocerontes caóticos e robóticos, de forma peculiar, destroem cidades, minha cidade,meu bairro, minha rua, assustam meu cachorro, destroem minha casa.Não sinto medo.Eu choro, por meu cachorro.Agora estou em cima de um prédio, vou devagar até a beira, entrelassando os pés, ainda frios, mais frios, penso no meu cachorro. Um prédio de 200 metros de altura, com luminosidade de arder os olhos, que se destaca no dia cinza.Existem vários desses por aqui, não sei por que existe uma placa informando a altura do prédio, ao lado de um outdoor sensacionalista, com um comercial de travesseiros, que diz: "Sem o sono não há sonhos, não há estabilidade, não há felicidade, não há vida".Algo me empurra, parece ser o sono, que todo esse tempo me procurava.Caio espantado, o prédio explode, todos os prédios explodem.Me encontro com o chão, que parecia me esperar anciosamente. Sinto fraturar primeiramente meu maxilar, sangue forma poças, escorre sobre meus olhos devagar, ouço o estalar amiúde de meus ossos, ouço aplausos!
Eu durmo.

Estupidez

Onde encontro a felicidade? Alguém já chegou até ela?
Ou será a simples confusão psicológica de que fama, dinheiro, e prestígio nacional e internacional seja essa coisa tão bonita?
A mediocridade e a idiotice me causam vergonha alheia, sobre as concepções do que seja a felicidade, com a ganância e voracidade da estúpida natureza humana.
Como disse Rousseau,  "A felicidae não é um estado estável para o homem".
Mas continuam os conflitos,  transformando o mundo em um caos, com um verdadeiro colapso de irmandade.
Pobre homem, mal sabe ele, que a felicidade está em todos os lugares, à qualquer momento.