domingo, 27 de julho de 2014

Prédios e sangue

Não consigo dormir.O que há de errado?São apenas 02:00 horas da madrugada de hoje, ou de amanhã, ou de ontem, sei lá.O que te faz deitar a cabeça pesada sobre o travesseiro,  virar para todos os lados, agarrar  a almofada e não conseguir dormir?Batendo no acomodante colchão, com seu cotovelo cansado de todas as posições que foram frutos de suas tentativas frustradas de querer dormir, descansar, sonhar, acordar.O som da chuva vira meu inimigo, a brisa fugaz, meus pés calçados com meias, frios e ásperos, formam a tríplice, "obrigado"! Mas eu não consigo dormir.Sinto vontade de chocolate quente, sento-me na cama espontaneamente, ponho o pé esquerdo no chão frio, mas sou vencido pela preguiça, que conta a quantidade de passos até a cozinha, desisto.Agora rinocerontes caóticos e robóticos, de forma peculiar, destroem cidades, minha cidade,meu bairro, minha rua, assustam meu cachorro, destroem minha casa.Não sinto medo.Eu choro, por meu cachorro.Agora estou em cima de um prédio, vou devagar até a beira, entrelassando os pés, ainda frios, mais frios, penso no meu cachorro. Um prédio de 200 metros de altura, com luminosidade de arder os olhos, que se destaca no dia cinza.Existem vários desses por aqui, não sei por que existe uma placa informando a altura do prédio, ao lado de um outdoor sensacionalista, com um comercial de travesseiros, que diz: "Sem o sono não há sonhos, não há estabilidade, não há felicidade, não há vida".Algo me empurra, parece ser o sono, que todo esse tempo me procurava.Caio espantado, o prédio explode, todos os prédios explodem.Me encontro com o chão, que parecia me esperar anciosamente. Sinto fraturar primeiramente meu maxilar, sangue forma poças, escorre sobre meus olhos devagar, ouço o estalar amiúde de meus ossos, ouço aplausos!
Eu durmo.

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