Um dia saí para comprar sorvete, pedi de limão, tinha romeu e julieta também, eu pedi, mas odeio goiabada.
Na volta para casa, quase chegando à minha quadra, quase terminando o meu sorvete, na metade da última bola, que era a de sabor estranho, não convencional(queijo em sorvete, normal), eu tropeço, e deixo, na verdade eu não deixo, o sorvete cria vida própria e salta da minha mão, caindo bruscamente sobre o chão empoeirado, estagnando minha ânsia de comer a casquinha. O dia escaldante que me atordoava, fazia o sorvete derreter lentamente, de repente o sorvete começa à se configurar, e inundar a rua, o bairro, a cidade, e todos se transformam em uma matéria só, até eu, causador daquilo tudo, utopia sempre foi minha fascinação, e poxa, eu estava vivendo-a, será? Fico imóvel, vendo isso tudo acontecer, enquanto aprecio minha aparência de sorvete, todos são sorvete, os cachorros deslizam como loucos pela rua, de sorvete, eu corro, e encontro, alguém, que vem me abraçar, como se nos conhecíamos há um bom tempo, ela me diz que, ficará comigo, e jamais me abandonará, até que algo explode, gerarando um vácuo, perdido, com frio, avisto partículas de sorvete, e uma única estrela, longe, que se paga, simultaneamente me deparo com o sorveteiro, me perguntando: já decidiu o sabor? Sim, limão, aliás, tem romeu e julieta?
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