sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cafeína e persistência

Onde você se encontra?

Em todos os lugares que olho.
Na janela embaçada, ao som dos pássaros que de certa forma não me agrada.
Nos livros que leio, no sono profundo, na corda quebrada do violão.
Nos vultos que me assombram, no escuro que me apavora, nos carros em contra mão.
Na tristeza que me aflige, na música que não mais me conforta, no frio que me fazem ranger os dentes.
Na terceira xícara de café, que não sei por que mais amarga, me embaça os óculos, em contraposição de minha preguiça.
No incômodo acomodado, no arrumado desarrumado, meu desarrumado, meu incontestado.
Em minha mente caótica e neurótica, que no início disso tudo queria fazer rimas, pobres rimas.
No silêncio turbulento,  nos sangue que escorre sobre meu dedo, depois por todo antebraço e posteriormente sobre meu braço, formando traços que me lembram aquele seu vestido, aquele seu olhos, aquele seu eu.
No tempo que vem passando, devagar, tristonho, ou rápido demais. Mas esse remorso, que se alastra em forma de cafeína sob meu corpo, me faz ir de desencontro a você, não persisto mais na memória, na felicidade.
Dou sete passos até porta, caminho entrelaçando os pés, quando de repente passa um helicóptero, que imagino pousando, mas com certeza não traria você, ele me traria a verdade frustrante de que tudo passa, menos você.

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