Não sinto o meu coração
Quem sente o que você quer sentir
tem de olhar para a vida com outros olhos
com outros ouvidos deve ouvir a sinfonia de nona escala
quem está perguntando o quê você sente
realmente se importa?
Talvez tudo se resolvesse com uma torta
com um café
diálogo nunca foi um forte da natureza humana
é um forte da tolerância
um forte das circunstâncias inabaláveis quando boas
e suscetíveis à mudanças quando ruins
é um esticar de pernas
em espinhos de verdade.
sábado, 19 de dezembro de 2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Absoluto
A intolerância é a mãe de todos os males. Parte dela e de intrínseca involuntariedade de natureza humana, a arrogância de não aceitar o outro, as diferenças sociais, econômicas, políticas, estilísticas, de descrenças e crenças ( o ateísmo forte defina sua corrente filosófica como crença na ausência de uma deidade). Se tocássemos nossa alma ou ao menos a superfície dela, nossa verdadeira essência, nossos reais desejos e ambições, insatisfações pessoais mantidas e cobertas como poeira debaixo do tapete, haveria uma averiguação e suavização dos conflitos humanísticos, gastaríamos mais tempo nos preocupando com nós do que com o outro e, dentro de nós, encontraríamos também o ''outro'' e o inesperado aconteceria, pois qualquer um tem parte do ''outro'' em si, querendo ou não, todos vivem em uma sociedade e, não sobreviveríamos sem ela. Ame seu próximo, ame os distantes, ame as pessoas, e verás que elas ao contrario do que tu achastes - tu, um pobre amante da misantropia - pessoas podem ser as melhores coisas do mundo e deveriam ser, sensações insubstituíveis que cachorros substituem, a vida é repleta de antíteses, e deve prevalecer o bom de qualquer uma, assim como os paradoxos, seja tolerante e não insulte a si, envergonhando a raça humana ainda mais. Evite o absoluto.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Horas
Estou cansado
e não sei até onde ir
onde desistir
e onde recuar
onde não parar
onde persistir
não quero ficar em casa
e estou entediado como um relógio
que responsabilidade?
que responsabilidade!
e não sei até onde ir
onde desistir
e onde recuar
onde não parar
onde persistir
não quero ficar em casa
e estou entediado como um relógio
que responsabilidade?
que responsabilidade!
terça-feira, 10 de novembro de 2015
As partes de cada cômodo
À noite, sozinho no quarto ou qualquer outro cômodo da casa
o silêncio assusta
sou eu em si
sem o outro para desviar o caminho retilíneo que leva a compreensão do ''eu sou''
tudo é mais assustador
até o silêncio parece chorar e se debruçar num porre de quatro dias
as paredes imploram por mais vida, sofrem como alguém que está a não amar
o teto suplica para desabar e terminar com sua persistência involuntária
e o chão vai me engolindo
pouco a pouco
até me sobrar somente uma mão para escrever.
o silêncio assusta
sou eu em si
sem o outro para desviar o caminho retilíneo que leva a compreensão do ''eu sou''
tudo é mais assustador
até o silêncio parece chorar e se debruçar num porre de quatro dias
as paredes imploram por mais vida, sofrem como alguém que está a não amar
o teto suplica para desabar e terminar com sua persistência involuntária
e o chão vai me engolindo
pouco a pouco
até me sobrar somente uma mão para escrever.
domingo, 25 de outubro de 2015
Felicidade
Às vezes você não quer perceber quem realmente é
às vezes fica difícil ser quem realmente é
algumas horas, alguns dias
você acusa, culpa e destrói
e demora perceber
que o culpado
sempre foi você
agora, suas mãos cansadas
e seus olhos cozidos
a tristeza vem à tona
como uma senhora no mais belo vestido
mas é preciso e necessário
sempre seguir em frente
contente, temendo somente
a perspectiva de não ser feliz
felicidade se constrói com alguém
ou sozinho?
Será a companhia a fonte inesgotável de felicidade
ou da solidão doce que arrupia
da escrita que sorria
nem todo poeta sofre
mas toda solidão produz um.
às vezes fica difícil ser quem realmente é
algumas horas, alguns dias
você acusa, culpa e destrói
e demora perceber
que o culpado
sempre foi você
agora, suas mãos cansadas
e seus olhos cozidos
a tristeza vem à tona
como uma senhora no mais belo vestido
mas é preciso e necessário
sempre seguir em frente
contente, temendo somente
a perspectiva de não ser feliz
felicidade se constrói com alguém
ou sozinho?
Será a companhia a fonte inesgotável de felicidade
ou da solidão doce que arrupia
da escrita que sorria
nem todo poeta sofre
mas toda solidão produz um.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Cobertor
O descanso parece não chegar
e a calmaria só vem junto a você
a paz reside em você
e me reveste
me encobre
me torna dependente
e totalmente submisso
a um pensamento
a um esquecimento, que nunca será você
E quando estou prestes a cair
em uma rampa de uma caravela
em águas oceânicas tão frias e superficiais
se comparadas ao nosso existir
ao nosso ser
ao nosso viver
ao nosso tudo:
amor.
E quando estou prestes a cair
seus braços me erguem
e seus cabelos me encurvam
até um ponto infixo
gradativamente decorado
cada milímetro é um aflorado espiritual
e quando estou prestes a cair:
você me prova a leveza do viver
e da queda
me torno infinito
de coração ímpeto
revestido até as entranhas
por você.
e a calmaria só vem junto a você
a paz reside em você
e me reveste
me encobre
me torna dependente
e totalmente submisso
a um pensamento
a um esquecimento, que nunca será você
E quando estou prestes a cair
em uma rampa de uma caravela
em águas oceânicas tão frias e superficiais
se comparadas ao nosso existir
ao nosso ser
ao nosso viver
ao nosso tudo:
amor.
E quando estou prestes a cair
seus braços me erguem
e seus cabelos me encurvam
até um ponto infixo
gradativamente decorado
cada milímetro é um aflorado espiritual
e quando estou prestes a cair:
você me prova a leveza do viver
e da queda
me torno infinito
de coração ímpeto
revestido até as entranhas
por você.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Esquecimento inviável
Tentei uma prosa
saiu um poema
tentei uma coisa nova
o velho me veio à tona
tentei não te deixar dentro de mim
mas minha mente não aceita o poderio sobre ela
e se debruça perante seus cabelos
e meu ar parecem se petrificar
meus pulmões parece se dissecar
e de repente eu tento te esquecer
tento não sentir a luz nos olhos do coração
e de tanto tentar
eu desisti na milésima vez
de não olhar para trás
e me veio uma imagem sua meio desgastada
e um suave vento frio
me rodopiou
me tragou
me gerou um efeito borboleta
você parece ainda estar aqui
mas o que resta
são só lembranças
e
um cara qualquer
que ainda é seu
quem sabe.
saiu um poema
tentei uma coisa nova
o velho me veio à tona
tentei não te deixar dentro de mim
mas minha mente não aceita o poderio sobre ela
e se debruça perante seus cabelos
e meu ar parecem se petrificar
meus pulmões parece se dissecar
e de repente eu tento te esquecer
tento não sentir a luz nos olhos do coração
e de tanto tentar
eu desisti na milésima vez
de não olhar para trás
e me veio uma imagem sua meio desgastada
e um suave vento frio
me rodopiou
me tragou
me gerou um efeito borboleta
você parece ainda estar aqui
mas o que resta
são só lembranças
e
um cara qualquer
que ainda é seu
quem sabe.
Indo ao desencontro
Para onde iremos fugir?
Depois que todas as luzes que estavam ao nosso favor se apagarem
não teremos escolha
teremos que nos entregar
teremos que nos privar
teremos que ter
amor além de tudo
sobre tudo
e com tudo
Mas encontraremos a saída
a próxima estação
o próximo som repleto de luzes
ondas e ondas ao nosso redor
e os tambores soaram
os cegos acordaram
e se incomodaram
com a intensidade de nosso efêmero amor
até uma vírgula, um ponto
estaremos entre lençóis
nossas espalmas
nossos lábios
um dia se perderão.
Depois que todas as luzes que estavam ao nosso favor se apagarem
não teremos escolha
teremos que nos entregar
teremos que nos privar
teremos que ter
amor além de tudo
sobre tudo
e com tudo
Mas encontraremos a saída
a próxima estação
o próximo som repleto de luzes
ondas e ondas ao nosso redor
e os tambores soaram
os cegos acordaram
e se incomodaram
com a intensidade de nosso efêmero amor
até uma vírgula, um ponto
estaremos entre lençóis
nossas espalmas
nossos lábios
um dia se perderão.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
O que eu disse ontem?
Há momentos tão tristes em nossas vidas
alguns parecem nunca ter fim
até a morte parece ser uma opção confortável
e a mais fácil de todas
uma incorporação romântica de morte como solução
o ar fúnebre de seus olhos
dos meus olhos
refletem no branco de todas as cores
e faz transcender toda a solidão do canto frio e escuro de si
o si em si
e não o outro em si
quando você descobre quem é
e tenta não acreditar
ou quando começa a descobrir e evitar
o real e verdadeiro nos apavora
é por isso que precisamos da mentira como vertente e escudo
a vanguarda destrutível
todos vivem uma mentira porque tudo que não é e não existe fascina
a utopia tranquila e confusa
mas a verdade prevalece, sempre prevalece
e a mentira sempre te esquece
e haverá momentos que até ela
lhe abandonará
e só restará o pior de todos os males e monstros
você e seu eu
somente você e suas descobertas frustrantes.
alguns parecem nunca ter fim
até a morte parece ser uma opção confortável
e a mais fácil de todas
uma incorporação romântica de morte como solução
o ar fúnebre de seus olhos
dos meus olhos
refletem no branco de todas as cores
e faz transcender toda a solidão do canto frio e escuro de si
o si em si
e não o outro em si
quando você descobre quem é
e tenta não acreditar
ou quando começa a descobrir e evitar
o real e verdadeiro nos apavora
é por isso que precisamos da mentira como vertente e escudo
a vanguarda destrutível
todos vivem uma mentira porque tudo que não é e não existe fascina
a utopia tranquila e confusa
mas a verdade prevalece, sempre prevalece
e a mentira sempre te esquece
e haverá momentos que até ela
lhe abandonará
e só restará o pior de todos os males e monstros
você e seu eu
somente você e suas descobertas frustrantes.
sábado, 26 de setembro de 2015
Onde está você?
Às vezes tudo que você precisa
é de uma boa música
um bom livro
um bom beijo
uma boa companhia
um bom tudo
mas nem tudo é bom
e nem tudo se pode
e talvez a música e o livro bastem.
é de uma boa música
um bom livro
um bom beijo
uma boa companhia
um bom tudo
mas nem tudo é bom
e nem tudo se pode
e talvez a música e o livro bastem.
Ignóbil Superfície
Eu me contorço
e me sinto cada vez mais desumano
eu era um bom garoto, mas isso não dura muito tempo
nunca dura
bom no aspecto de menor senso de individualidade possível
mas você cresce e vai se adequando
se ''adaptando'' no sistema político econômico capitalista
parece que ou você adere a ele, ou você entrará em estado de decadência, entropia e morte derradeira ignóbil
seus pensamentos ignóbil
seus escritos inúteis
sua mente inútil
eu queria ser um pouco mais humano
sim, eu queria ser um pouco mais humano
no sentido benevolente e original da palavra
mas não quero ser um ponto final num canto de parede negra sem luz
sem luz.
e me sinto cada vez mais desumano
eu era um bom garoto, mas isso não dura muito tempo
nunca dura
bom no aspecto de menor senso de individualidade possível
mas você cresce e vai se adequando
se ''adaptando'' no sistema político econômico capitalista
parece que ou você adere a ele, ou você entrará em estado de decadência, entropia e morte derradeira ignóbil
seus pensamentos ignóbil
seus escritos inúteis
sua mente inútil
eu queria ser um pouco mais humano
sim, eu queria ser um pouco mais humano
no sentido benevolente e original da palavra
mas não quero ser um ponto final num canto de parede negra sem luz
sem luz.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Encontro às pressas
me leve em seus braços
se não
me leve em seu coração
se não
me leve em seu pensamento
se não
me leve em seu esquecimento
de todas e qualquer das formas, farei parte de você depois que souber meu nome
você me compõe noventa e sete por cento
de resto, sou um por cento dúvida
um por cento desespero
e um por cento é vazio, que anseia por você.
se não
me leve em seu coração
se não
me leve em seu pensamento
se não
me leve em seu esquecimento
de todas e qualquer das formas, farei parte de você depois que souber meu nome
você me compõe noventa e sete por cento
de resto, sou um por cento dúvida
um por cento desespero
e um por cento é vazio, que anseia por você.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Where is it?
Where is it
Where is it
the truth
Look there
down, down, fuck the hypocrisy
look there, under the bed you slept
you slept
and not sought
under the dead man
the corpse
the worm is exposed
Your brain is exposed?
Kadinsky, Duchamp, and art has its wake
simple but nothing that concerns the simpleton
out of the kitchen, closet
TV
look for someone different from you
and shout out what he wants to know
go!
Where is it
the truth
Look there
down, down, fuck the hypocrisy
look there, under the bed you slept
you slept
and not sought
under the dead man
the corpse
the worm is exposed
Your brain is exposed?
Kadinsky, Duchamp, and art has its wake
simple but nothing that concerns the simpleton
out of the kitchen, closet
TV
look for someone different from you
and shout out what he wants to know
go!
Dono do silêncio
sou dono de muitos pensamentos
alguns utópicos, outros concretos
minha mente parece um turbilhão
cheia de desespero e desassossego
cheia de
preposições
chega de
alusões
morra de
um amor isolado e escondido, pronto para ser despertado
mas de vez em quando, vem um de repente
desses, que parece que não mente
do subconsciente
e me diz o sangue do corpo espremido
me torna acúmulo de tolices
e vaso fechado
de grandes sonhos irrealizados
talvez um berro, um grito, um choro
talvez um silêncio, no silêncio, do silêncio
eu encontre meus maiores medos e mistérios
mas somente em tua voz, encontro partes do que sou
e vou montando um quebra-cabeça
me perco em seu perfume
me encontro em sua pupila
faço de seus extremos minhas linhas
e vou escrevendo certo, em você.
alguns utópicos, outros concretos
minha mente parece um turbilhão
cheia de desespero e desassossego
cheia de
preposições
chega de
alusões
morra de
um amor isolado e escondido, pronto para ser despertado
mas de vez em quando, vem um de repente
desses, que parece que não mente
do subconsciente
e me diz o sangue do corpo espremido
me torna acúmulo de tolices
e vaso fechado
de grandes sonhos irrealizados
talvez um berro, um grito, um choro
talvez um silêncio, no silêncio, do silêncio
eu encontre meus maiores medos e mistérios
mas somente em tua voz, encontro partes do que sou
e vou montando um quebra-cabeça
me perco em seu perfume
me encontro em sua pupila
faço de seus extremos minhas linhas
e vou escrevendo certo, em você.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Avesso, anverso, embrulhado, revestrés
meu corpo é cheio de vazio
e minha mente parece um meio fio
com sangue denso de um cérebro que não realiza mais sinapses
a água começa a condensar
e meus pensamentos vão se perdendo dentro de minha mente, dentro de meu cérebro, dentro de meu crânio, dentro de meu corpo, dentro de minha vida
e minha vida vai perdendo a meta, se tornando o equilibrista alcoólatra que utiliza uma maquiagem rosa
Como minhas lágrimas que vão se perdendo em meio à chuva que lava o sangue
eu vou abstraindo até chegar num estágio mental absoluto
com um revolver cravo uma bala no nada
nada na balada
no suspiro de alívio que minha mente ergue diante de um público que aplaude
o cair e estalar dos ossos
e o buraco de indescobertas que eu descobri, vi, senti
e você que respira e possuí sangue correndo entre suas artérias que levam oxigênio até seu cérebro propulsor que se adapta à ilusão de felicidade por um bem menor que é super valorizado
nunca saberá
você nem sua mente
novamente
você mente
só mente
somente.
com sangue denso de um cérebro que não realiza mais sinapses
a água começa a condensar
e meus pensamentos vão se perdendo dentro de minha mente, dentro de meu cérebro, dentro de meu crânio, dentro de meu corpo, dentro de minha vida
e minha vida vai perdendo a meta, se tornando o equilibrista alcoólatra que utiliza uma maquiagem rosa
Como minhas lágrimas que vão se perdendo em meio à chuva que lava o sangue
eu vou abstraindo até chegar num estágio mental absoluto
com um revolver cravo uma bala no nada
nada na balada
no suspiro de alívio que minha mente ergue diante de um público que aplaude
o cair e estalar dos ossos
e o buraco de indescobertas que eu descobri, vi, senti
e você que respira e possuí sangue correndo entre suas artérias que levam oxigênio até seu cérebro propulsor que se adapta à ilusão de felicidade por um bem menor que é super valorizado
nunca saberá
você nem sua mente
novamente
você mente
só mente
somente.
Concepção de um meteoro
Quando você se esconde dos seus segredos, eles te roubam sem sequer que você perceba, te embebedam e te fazem rir até o amanhecer, depois de uma noite de porre na qual você planejou escrever um roteiro, plano que se tornou somente uma nota mental, o que é menos extraordinário.
Ao acordar você percebe que tudo que existe em sua volta não o satisfaz, você mora sozinho e ganha bem como diretor de arte e redator, porém grana não preenche o buraco de uma bala de escopeta no seu cérebro. Você quer se tornar amigo de alguém muito rápido, talvez com a pessoa que você trocou olhares no metrô ou no avião, ou na galeria de artes, a arte abstrata e conceitual é a que você mais admira.
Isso depois de um café da manhã com sabor de saudade e ansiedade de encontrar a felicidade novamente, mas ela não estava dentro da torta de cereja, nem no café morno e meio amargo.
Chegada a hora do almoço, você decide escolher novas armações, seus óculos já estão velhos e você tem um cartão receita que prova que você fez um exame oftalmológico há semanas, mas hesitou ao cumprir uma tarefa anual porque ficou refletindo sobre reencarnação, e se ainda gostava do budismo, apesar de ser existencialista ateu, esse é o legal do budismo, ele permite que você faça parte de qualquer outra religião ou doutrina, mas você nunca adotou o budismo como religião, mas não deixará a meditação, mas o carma parece uma bobagem agora.
O tempo de escolha na ótica parece ter sido mais breve que o possível, Ferdinando costuma ser bem indeciso, ainda mais se tratando de óculos, um objeto considerado crucial por ele, apesar de não estar satisfeito com a miopia e o astigmatismo, mas a sua coleção passava dos dez, o que me surpreendeu por tal tempo, sessenta minutos para dez armações é pouco tempo até para um indivíduo pleno.
Um cara faminto, Ferdinando parece um cara faminto, a caminho do restaurante e pensando num brownie com castanhas, seu excesso de saliva que quase o engasga.
Chegando ao restaurante predileto, sente leves balanços que vão se elevando gradativamente, Ferdinando avista prédios sendo demolidos e pessoas sendo esmagadas por suas próprias ideias e concepções, reflete sobre as coisas que poderia ter feito durante sua curta vida, o fogo se alastra, e vai se aproximando, Ferdinando aceita a morte como um doente aceita um medicamento, cura sua alma e faz seus olhos latejar, um meteoro cai em cima de Ferdinando, que nunca imaginara o valor sobreposto à morte em relação à vida.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
O amor e suas frustrações
O amor é como retornar a um lar doce lar, onde você se sente seguro e aconchegado, confortável a ponto de preferir a realidade do que os devaneios deliciosos, mas você sabe que a qualquer momento um tornado em meio à tempestade pode chegar, e tornar tudo um caos.
- Qual é a sua definição de amor?
- Qual é a sua definição de amor?
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Monodrama
eu converso sozinho
eu converso sozinho
e nem sei sobre o que minto
mas assisto tudo de uma janela
vidas passadas se repetindo
sem companhia para a sobremesa
dispenso o jantar
com o coração jogado às traças
com frio e cansado
eu converso sozinho
preso numa gaiola
com minha paixão ao lado externo
não consigo alcança-la
mas os papéis invertem
a gaiola não se abrirá
mas um de nós pode arrancar o braço
e uma perna
quem sobreviverá?
e continuará conversando sozinho
um monólogo primata com distúrbio emocional sujeito à reforços negativos
eu converso sozinho.
eu converso sozinho
e nem sei sobre o que minto
mas assisto tudo de uma janela
vidas passadas se repetindo
sem companhia para a sobremesa
dispenso o jantar
com o coração jogado às traças
com frio e cansado
eu converso sozinho
preso numa gaiola
com minha paixão ao lado externo
não consigo alcança-la
mas os papéis invertem
a gaiola não se abrirá
mas um de nós pode arrancar o braço
e uma perna
quem sobreviverá?
e continuará conversando sozinho
um monólogo primata com distúrbio emocional sujeito à reforços negativos
eu converso sozinho.
domingo, 5 de julho de 2015
Ceticismo
Eu não acredito no que pensei hoje
não acredito no que ouvi hoje
não acredito do que me chamaram hoje
eu não acredito no que comi hoje
não acredito com quem estive hoje
não acredito onde fui hoje
não acredito no disco que dispus na vitrola
não acredito no que a fone emitiu
não acredito no som de meu coração
e nem na cor da minha mente
não acredito no hoje
a mudança me enche de esperança, me acolhe e me atordoa, como quem parece querer ajudar e de repente te faz de mendigo, te deixa sem nada no espaço interno, o que realmente importa não está sendo importado.
não acredito no que ouvi hoje
não acredito do que me chamaram hoje
eu não acredito no que comi hoje
não acredito com quem estive hoje
não acredito onde fui hoje
não acredito no disco que dispus na vitrola
não acredito no que a fone emitiu
não acredito no som de meu coração
e nem na cor da minha mente
não acredito no hoje
a mudança me enche de esperança, me acolhe e me atordoa, como quem parece querer ajudar e de repente te faz de mendigo, te deixa sem nada no espaço interno, o que realmente importa não está sendo importado.
Morto suicida
E foi, como quem não queria amar
E se dispôs a me conquistar
E foi coma a perda de uma mulher
me tratou como uma qualquer
Depois cuspiu em minha face e me meteu pavor
Apagou as nossas fotos do computador
e desarrumou, minha gaveta
agora tenho que ficar na solidão
e você continua dentro de um copo
pronta para um deleite
e eu estou tentando não lembrar
mas o doce do seu olhar
me faz querer saltar
de um prédio de 200 andares
agora.
E se dispôs a me conquistar
E foi coma a perda de uma mulher
me tratou como uma qualquer
Depois cuspiu em minha face e me meteu pavor
Apagou as nossas fotos do computador
e desarrumou, minha gaveta
agora tenho que ficar na solidão
e você continua dentro de um copo
pronta para um deleite
e eu estou tentando não lembrar
mas o doce do seu olhar
me faz querer saltar
de um prédio de 200 andares
agora.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Esmola
meio tarde, não
para me trazer a solidão
depois de me encher de amores
deixe disso
venha para cá
para sentirmos a transferência de energia
o calor, o vapor
e a dança
não se vá, não se vá
não deixe eu ficar assim
meu deus! pareço uma tumba
sem alegrias
não faz assim não, volte
nem que seja devagarzinho
e me faça um carinho
me encha de infinito
quero o seu corpo, das cavernas de minha mente
agora descontente
não deixe morrer o trovador
de fome
meu alimento não tem nome
mas chamam de amor
para me trazer a solidão
depois de me encher de amores
deixe disso
venha para cá
para sentirmos a transferência de energia
o calor, o vapor
e a dança
não se vá, não se vá
não deixe eu ficar assim
meu deus! pareço uma tumba
sem alegrias
não faz assim não, volte
nem que seja devagarzinho
e me faça um carinho
me encha de infinito
quero o seu corpo, das cavernas de minha mente
agora descontente
não deixe morrer o trovador
de fome
meu alimento não tem nome
mas chamam de amor
Meu camarada
meu velho amigo falava:
oh meu velho, vai amar e experimentar beijos de mulher
vai ser suspiro de Tarsila, causar ciúmes em Karenina
se encher de sim e abandonar o não
com fé, sem santo
já esqueceu o corpo dela?
agora está quebrando a cabeça
tentando encontrar a Vanessa
meu caro
mas ela está tão bela
na janela do coração
mas meu velho amigo falava:
se tu não amas de verdade, não entras não
pega a contra a mão
e largue o cabelo dela
parta o seu
os corações
não se force ao amor
isso eu não suporto
deixa a companhia para depois
sua carne é jovem e imaculada
deixe brotar rosas
depois do corrimão
a Julieta estará à sua espera
desde que não se atrase
e nem erre a direção
meu camarada, ouça seu coração
palavras de seu amigo João
oh meu velho, vai amar e experimentar beijos de mulher
vai ser suspiro de Tarsila, causar ciúmes em Karenina
se encher de sim e abandonar o não
com fé, sem santo
já esqueceu o corpo dela?
agora está quebrando a cabeça
tentando encontrar a Vanessa
meu caro
mas ela está tão bela
na janela do coração
mas meu velho amigo falava:
se tu não amas de verdade, não entras não
pega a contra a mão
e largue o cabelo dela
parta o seu
os corações
não se force ao amor
isso eu não suporto
deixa a companhia para depois
sua carne é jovem e imaculada
deixe brotar rosas
depois do corrimão
a Julieta estará à sua espera
desde que não se atrase
e nem erre a direção
meu camarada, ouça seu coração
palavras de seu amigo João
Depósito
e a vontade de voltar
e a vontade de ficar
e aquela batida lembra você
olha ela, nos percebendo sempre que estamos caindo
já estou na sua porta, adiantado e sem resposta
tínhamos marcado para as vinte horas
mas guardei os beijos para a próxima amada
que eu encontrarei na estrada
hoje é sábado
me espere até quarta
e desfaça a mesa farta
complete a taça
beba até perder a cabeça
até parar em meus braços
onde não é o seu lugar
mas me deixe aproveitar
morrerei aos 18
morrerei hoje
estou morto agora
mas ainda posso sentir seu seio
talvez você tenha morrido dentro de mim
ou eu em você
ou ambos morreram e não sabem revés
posso estar bêbado ao invés de louco
mas não passei de um copo com água
e a vontade de ficar
e aquela batida lembra você
olha ela, nos percebendo sempre que estamos caindo
já estou na sua porta, adiantado e sem resposta
tínhamos marcado para as vinte horas
mas guardei os beijos para a próxima amada
que eu encontrarei na estrada
hoje é sábado
me espere até quarta
e desfaça a mesa farta
complete a taça
beba até perder a cabeça
até parar em meus braços
onde não é o seu lugar
mas me deixe aproveitar
morrerei aos 18
morrerei hoje
estou morto agora
mas ainda posso sentir seu seio
talvez você tenha morrido dentro de mim
ou eu em você
ou ambos morreram e não sabem revés
posso estar bêbado ao invés de louco
mas não passei de um copo com água
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Caindo, sem controle
Há dias que você se sente abandonado, como um sujeito qualquer mergulhando em águas quaisquer. Mas o vento sempre me levou em uma direção estranha, mas sempre tinha mais de nada e menos de tudo. O oceano que vou afundando, em devaneios e reflexões estranhas e tão familiares.
Os pensamentos, a imaginação, a nostalgia, se tornam maiores que qualquer coisa que me compõe ou que eu possa ver neste planeta vasto e hostil. Pessoas que me fizeram tão feliz e agora nem faço mais parte da agenda do telefone móvel delas. Mas sempre fui só, me adaptei ao ''se cuidar''.
Mas em alguns momentos, você não é capaz de enxugar suas próprias lágrimas e mágoas. Quem um dia me fará sentir uma razão de vivência, que me rasgará o peito e me abrirá um sorriso tão grande que não caberá só em minha face, e ele irá se desalinhar e compor uma outra face ainda desconhecida. Já não sou o mesmo de antes, porém às vezes escrevo como se fosse.
Mas tudo está diferentemente estranho e inusitado, vou ficando mais velho à cada milésimo, e vou me tornando o oposto do que um dia jamais pensei ser.
Meus desenhos já não são como antes, nem minha escrita, nem meu cabelo, nem minhas ideias e conceitos, afinal, nada evolui parado.
Mas a preguiça parece tomar conta de mim e me faz um procrastinador que mal consegue fazer os deveres, as obrigações que enchem o saco.
Tenho 16 anos e já estou cansado de viver, praticamente me desfaço em tentar encontrar um motivo que me faça sentir vivo, que acelere o coração e que tire o que me resta de lucidez. Algo que eu possa mergulhar e nadar até as profundezas, pois nunca fui de me satisfazer com pouco, era muito ou nada.
Porém mais vale um pássaro na mão, do que dois voando, e que o segundo venha pousar sobre minha palma. Saí de onde tinha mergulhado.
E agora não consegui me segurar, novamente.
Eu estou caindo, onde irei parar? O que me aguarda dentro dos oceanos é por parte da vida, pois você não é controlador de tudo, na verdade, mais cedo ou mais tarde você descobrirá, que não é controlador de nada.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Ainda com frio
Ela estava longe de querer um sentimento, mas aos poucos ela foi ''aprimorando'' o que sentia.
Se sentia estranha e indiferente, queria algo que a fizesse bem, somente, depois de ter seu coração partido, desacreditava em algo chamado amor, e já nem sabia mais o que era. Mas certo dia acordou disposta a aproveitar sabe-se lá o que ela sentia, mas seu coração já não era tão frio como antes.
Ela acordou cedo, como de costume, se arrumou, vestindo o seu mais belo vestido, aquele com florzinhas sobre todo o tecido, e as botas as quais melhor lhe calçavam, tomou uma boa dose de café, na sétima xícara, assoprou o vapor que lhe incomodava, embaçando as lentes de seu óculos (o que incomodou mais), utiliza o lenço em seus cabelos para limpá-los, um belo lenço, tão belo que não se prezava a tal papel, mas ela não se importava, numa manhã de sábado fria, sem companhia, por enquanto.
Seus pais estão viajando, e a casa não perde a graça por causa disso, ela não gostava tanto da companhia dos mesmos, mas seus olhos claros, como a mais bela árvore à luz do sol, suplicavam por companhia, tudo que não queria era ficar sozinha, ter um lugar para ir.
Já não tem tantos amigos, mas estaria disposta a fazer mais, pelo menos nesse sábado.
Ela pega uma tesoura, do nada vem em sua mente a ideia estapafúrdia de cortar os cabelos, ruivos como o mais belo barro.''Estive muito tempo com este cabelo, já é o período de final de ano, se terei um ano novo, que não me trará um coração ou uma mente nova, nem bagagens nem chaves, darei a ele o privilégio de achar que me trouxe ao menos um corte novo'', pensou hesitadamente.
As mechas que caem no chão, que até ontem eram lágrimas, agora são feixes de outra coisa, talvez ainda fossem lágrimas, mas metaforicamente.
Já são quase 11;30 horas, se senta na sacada e aprecia a brisa da chuva que se aproxima, fez-se vento para levar embora os resquícios sobre seus ombros levemente curvados, como esculturas gregas.
Sua pele tão alva, já não suportava a vida que levava, era tana tristeza sobre sua mente que escorria para a epiderme, já não bastavam as lágrimas? e os arrepios que o frio causava.
Mas ela só tinha 19 anos, se sentia tão velha que mal suportou olhar-se no espelho enquanto cortava os cabelos, acima dos ombros. Ela recebera um convite para uma festa, que queria ir, mas sua mente só gritava por não, e se ela se apaixonasse novamente? E se sua mente, mente? Ela devia aproveitar o que sentia, sem ao menos saber o que era. Mas ela aceitou depois de pensar três vezes, e embaçar os óculos novamente, enquanto tomava café com torradas e manteiga, não seguia bem a rotina de alimentação, afinal, não tinha ninguém casa, fria casa.
À tarde, dormi, com medo de sofrer com o tédio, pois queria que a tarde fosse tão efêmera quanto a ligação que recebera, em forma de convite, dele, que lhe fazia tão bem, mas ela fazia ''disso'', que ambos sentiam, uma roleta russa.
Quando acordou aflita, sem saber se o que tinha era um sono, esperou um pouco, para tal certificação.Se higienizou, se arrumou, usando um vestido qualquer, mas ainda sim muito bonito, não queria fazer dessa saída algo especial, pois não queria borrar a sua maquiagem, tinha dado tanto trabalho. Indo à estação de metrô mais próxima, Santa Madalena, espera o local desejado enquanto pensa em 31 de dezembro.
Quando chegou à festa, encontrou quem tanto queria, parecia mais um baile (a festa, não ele).
Um baile onde todos estavam muito contentes, pelo menos superficialmente.
Ela dançou encostando sua cabeça cansada no ombro dele, como se fosse um travesseira sobre a cama, faltou dormir. Ela encostou seus lábios onde almejava, ele também queria, ao erro do passo da dança, a lágrima sobre seu terno deprimido, não escondia o que sentia, talvez a lágrima fosse de felicidade, a lágrima dele era quente, a ponto de aquecê-la, tocando-o o pescoço, agora um pouco à mostra, os faziam sentir numa estrela sem fim, brilhante e quente, num planeta frio e escuro, os faziam sentir os milésimos, os segundos, os minutos, cada um atingindo-os como uma bala, uma faca.
Eles descobriam o novo ano de forma diferente, compreendiam a efemeridade do tempo, agora que não quer mais voltar para casa. Mas a lágrima dele, a qual a aquecia, não era de felicidade como imaginara, era de tristeza, de quem peleja para ter coragem, de não querer perder alguém.
Ele gostava de outra garota, seus 21 anos não serviam para nada, parecia ter 13, como quem não sabe de quase nada sobre a vida. Seu coração falava venha, mas sua mente dizia vai, eles que não se entendiam, agora ele sabia o que sentia, ele se encontrando, fez-a se perder, mas ao menos na despedida, na ida, ele revelou, e ela também.
Mas ela chorará, irá continuar a amar, o próximo, involuntária reação, tudo que ele queria era perdão, e ela não o podia culpar. em parte.
Bom, agora ela estava em casa, com o coração partido novamente, maldição chamada amor.
Ao menos no dia primeiro de janeiro, ela tinha um corte de cabelo novo.
E ela não tinha utilizado seu melhor vestido mesmo.
Mas agora ela sente um frio novamente.
Quem dera, fosse somente externo.
Se sentia estranha e indiferente, queria algo que a fizesse bem, somente, depois de ter seu coração partido, desacreditava em algo chamado amor, e já nem sabia mais o que era. Mas certo dia acordou disposta a aproveitar sabe-se lá o que ela sentia, mas seu coração já não era tão frio como antes.
Ela acordou cedo, como de costume, se arrumou, vestindo o seu mais belo vestido, aquele com florzinhas sobre todo o tecido, e as botas as quais melhor lhe calçavam, tomou uma boa dose de café, na sétima xícara, assoprou o vapor que lhe incomodava, embaçando as lentes de seu óculos (o que incomodou mais), utiliza o lenço em seus cabelos para limpá-los, um belo lenço, tão belo que não se prezava a tal papel, mas ela não se importava, numa manhã de sábado fria, sem companhia, por enquanto.
Seus pais estão viajando, e a casa não perde a graça por causa disso, ela não gostava tanto da companhia dos mesmos, mas seus olhos claros, como a mais bela árvore à luz do sol, suplicavam por companhia, tudo que não queria era ficar sozinha, ter um lugar para ir.
Já não tem tantos amigos, mas estaria disposta a fazer mais, pelo menos nesse sábado.
Ela pega uma tesoura, do nada vem em sua mente a ideia estapafúrdia de cortar os cabelos, ruivos como o mais belo barro.''Estive muito tempo com este cabelo, já é o período de final de ano, se terei um ano novo, que não me trará um coração ou uma mente nova, nem bagagens nem chaves, darei a ele o privilégio de achar que me trouxe ao menos um corte novo'', pensou hesitadamente.
As mechas que caem no chão, que até ontem eram lágrimas, agora são feixes de outra coisa, talvez ainda fossem lágrimas, mas metaforicamente.
Já são quase 11;30 horas, se senta na sacada e aprecia a brisa da chuva que se aproxima, fez-se vento para levar embora os resquícios sobre seus ombros levemente curvados, como esculturas gregas.
Sua pele tão alva, já não suportava a vida que levava, era tana tristeza sobre sua mente que escorria para a epiderme, já não bastavam as lágrimas? e os arrepios que o frio causava.
Mas ela só tinha 19 anos, se sentia tão velha que mal suportou olhar-se no espelho enquanto cortava os cabelos, acima dos ombros. Ela recebera um convite para uma festa, que queria ir, mas sua mente só gritava por não, e se ela se apaixonasse novamente? E se sua mente, mente? Ela devia aproveitar o que sentia, sem ao menos saber o que era. Mas ela aceitou depois de pensar três vezes, e embaçar os óculos novamente, enquanto tomava café com torradas e manteiga, não seguia bem a rotina de alimentação, afinal, não tinha ninguém casa, fria casa.
À tarde, dormi, com medo de sofrer com o tédio, pois queria que a tarde fosse tão efêmera quanto a ligação que recebera, em forma de convite, dele, que lhe fazia tão bem, mas ela fazia ''disso'', que ambos sentiam, uma roleta russa.
Quando acordou aflita, sem saber se o que tinha era um sono, esperou um pouco, para tal certificação.Se higienizou, se arrumou, usando um vestido qualquer, mas ainda sim muito bonito, não queria fazer dessa saída algo especial, pois não queria borrar a sua maquiagem, tinha dado tanto trabalho. Indo à estação de metrô mais próxima, Santa Madalena, espera o local desejado enquanto pensa em 31 de dezembro.
Quando chegou à festa, encontrou quem tanto queria, parecia mais um baile (a festa, não ele).
Um baile onde todos estavam muito contentes, pelo menos superficialmente.
Ela dançou encostando sua cabeça cansada no ombro dele, como se fosse um travesseira sobre a cama, faltou dormir. Ela encostou seus lábios onde almejava, ele também queria, ao erro do passo da dança, a lágrima sobre seu terno deprimido, não escondia o que sentia, talvez a lágrima fosse de felicidade, a lágrima dele era quente, a ponto de aquecê-la, tocando-o o pescoço, agora um pouco à mostra, os faziam sentir numa estrela sem fim, brilhante e quente, num planeta frio e escuro, os faziam sentir os milésimos, os segundos, os minutos, cada um atingindo-os como uma bala, uma faca.
Eles descobriam o novo ano de forma diferente, compreendiam a efemeridade do tempo, agora que não quer mais voltar para casa. Mas a lágrima dele, a qual a aquecia, não era de felicidade como imaginara, era de tristeza, de quem peleja para ter coragem, de não querer perder alguém.
Ele gostava de outra garota, seus 21 anos não serviam para nada, parecia ter 13, como quem não sabe de quase nada sobre a vida. Seu coração falava venha, mas sua mente dizia vai, eles que não se entendiam, agora ele sabia o que sentia, ele se encontrando, fez-a se perder, mas ao menos na despedida, na ida, ele revelou, e ela também.
Mas ela chorará, irá continuar a amar, o próximo, involuntária reação, tudo que ele queria era perdão, e ela não o podia culpar. em parte.
Bom, agora ela estava em casa, com o coração partido novamente, maldição chamada amor.
Ao menos no dia primeiro de janeiro, ela tinha um corte de cabelo novo.
E ela não tinha utilizado seu melhor vestido mesmo.
Mas agora ela sente um frio novamente.
Quem dera, fosse somente externo.
Chuvas e chamas
Quando todos escolhem não lhe dar a atenção, tudo não vem a prazo, os problemas em minha mente vêm como uma avalanche, me tornando frio e incrédulo. Mas como tudo passará, e tudo passa, a tristeza no cantinho da minha mente, chamado memória me traz alegrias e tristezas, em maior parte uma nostalgia agonizante, como toda boa lembrança, tenho vontade de viver os momentos novamente, mas aproveitaria mais, não na singela epifania que nos traz o remorso, mas se eu errasse tudo novamente por você? E se a razão que toma conta de mim fizesse as malas novamente?
Meu sistema límbico numa batalha constante sai de vencedor, ao córtex pré-frontal, na divisão geográfica cerebral eu vou me perdendo e entendendo.
Entendido, porém perdido?
Mas ainda lembro daquela tarde, fria, a qual corríamos contra o vento em direção à lugar nenhum.
As mãos que se espalmavam se entristeciam no desdobrar de dedos. Quando eu me escondi, você me procurou, não encontrou-me, mas eu lhe achei novamente, você falava para eu nunca mais fazer aquilo, e o tempo não era nosso aliado. Mas o dia continuava frio, fomos até a parada de ônibus mais próxima, tudo que queria era ir para casa com você, com um sentimento que me dessecava, mas era bom. Sabia que não podia dormir durante o trajeto dessa vez, não queria correr o risco de abrir os olhos e não lhe encontrar. Mas seus olhos me devastavam coma chamas, uma floresta em minha mente, onde todos os animais fugiam, mas eu, continuava a queimar, a incinerar, até morrer.
Mas continuei a achar que estava vivo, e continuei. Chegando na rua da minha casa, houve despedida, aquela noite você não podia ficar. No outro dia eu percebi, que não só eu estava morto, já era de se esperar, como sentimentos sobreviveriam sem uma dose diária, foram sumindo, até eu me sentir vivo novamente, com o coração reflorestado, com fauna e flora, esperando por chuvas, e não por mais chamas.
Meu sistema límbico numa batalha constante sai de vencedor, ao córtex pré-frontal, na divisão geográfica cerebral eu vou me perdendo e entendendo.
Entendido, porém perdido?
Mas ainda lembro daquela tarde, fria, a qual corríamos contra o vento em direção à lugar nenhum.
As mãos que se espalmavam se entristeciam no desdobrar de dedos. Quando eu me escondi, você me procurou, não encontrou-me, mas eu lhe achei novamente, você falava para eu nunca mais fazer aquilo, e o tempo não era nosso aliado. Mas o dia continuava frio, fomos até a parada de ônibus mais próxima, tudo que queria era ir para casa com você, com um sentimento que me dessecava, mas era bom. Sabia que não podia dormir durante o trajeto dessa vez, não queria correr o risco de abrir os olhos e não lhe encontrar. Mas seus olhos me devastavam coma chamas, uma floresta em minha mente, onde todos os animais fugiam, mas eu, continuava a queimar, a incinerar, até morrer.
Mas continuei a achar que estava vivo, e continuei. Chegando na rua da minha casa, houve despedida, aquela noite você não podia ficar. No outro dia eu percebi, que não só eu estava morto, já era de se esperar, como sentimentos sobreviveriam sem uma dose diária, foram sumindo, até eu me sentir vivo novamente, com o coração reflorestado, com fauna e flora, esperando por chuvas, e não por mais chamas.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Ano novo
Este é o novo ano
não me sinto nele
me sinto ainda no ano velho
não sou deste ano
ele começou errado
nem parece ano
parece mês
começou sem chuva
começou estranho
a pizza estava ruim
parece mais fácil a raiva
do que a felicidade
um sorriso, que anceia por liberdade
neste ano, desejo que todos os desejos de anos anteriores se realizem
meu coração se entrelaça em caminhos com a dor
e o calor
minhas narinas entupidas me fazem agonizar
o que escorre delas parecem machucar
mas o novo ano que não é novo
não me trouxe um coração novo
nem uma mente nova
são as mesmas lembranças
embrulhadas com outras embalagens
não há o que esperar de estranho e esplêndido
mas as melhores coisas são apreciadas na ausência de expectativas
os verões que não me aqueceram
as chuvas que não me molharam
não me esfriaram
o vento que não me foi soprado
o roupa que não me fora comprada
talvez este ano
eu, velho
me sinto comum neste ano, novo-velho
mas ele me trouxe uma sensação
de profundidade
a intensidade de um oceano
com todos os seus mistérios
claro em superfície
vai escurecendo
se tornando perigoso
arriscado
com o calor do sol
o brilho da lua
eu vou viajando
no meu barco
tão frágil, instável
quem sabe na dor da partida
no soluço agonizante do mergulho
um submarino venha me socorrer
um ano cheio de surpresas
não espero nada, de tudo
a perspectiva que tenho
é de estar sem expectativas
espero ter prazeres inesperados
nos impulsos nervosos
no tempo que não foi
carrego comigo uma mala
uma enorme mala
onde caberá muitas alegrias.
não me sinto nele
me sinto ainda no ano velho
não sou deste ano
ele começou errado
nem parece ano
parece mês
começou sem chuva
começou estranho
a pizza estava ruim
parece mais fácil a raiva
do que a felicidade
um sorriso, que anceia por liberdade
neste ano, desejo que todos os desejos de anos anteriores se realizem
meu coração se entrelaça em caminhos com a dor
e o calor
minhas narinas entupidas me fazem agonizar
o que escorre delas parecem machucar
mas o novo ano que não é novo
não me trouxe um coração novo
nem uma mente nova
são as mesmas lembranças
embrulhadas com outras embalagens
não há o que esperar de estranho e esplêndido
mas as melhores coisas são apreciadas na ausência de expectativas
os verões que não me aqueceram
as chuvas que não me molharam
não me esfriaram
o vento que não me foi soprado
o roupa que não me fora comprada
talvez este ano
eu, velho
me sinto comum neste ano, novo-velho
mas ele me trouxe uma sensação
de profundidade
a intensidade de um oceano
com todos os seus mistérios
claro em superfície
vai escurecendo
se tornando perigoso
arriscado
com o calor do sol
o brilho da lua
eu vou viajando
no meu barco
tão frágil, instável
quem sabe na dor da partida
no soluço agonizante do mergulho
um submarino venha me socorrer
um ano cheio de surpresas
não espero nada, de tudo
a perspectiva que tenho
é de estar sem expectativas
espero ter prazeres inesperados
nos impulsos nervosos
no tempo que não foi
carrego comigo uma mala
uma enorme mala
onde caberá muitas alegrias.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Minha amiga
Quando eu estava em dias tristes
dias escuros como abismos
uma amiga, sempre me confortava
me enchia de graça, mesmo quando não lhe prestava
o meio o qual me encontrava, parecia uma rodovia sem fim
as luzes sobre meu coração
eram postas, por ela
em meio aos perdidos
ela me encontrava
me entrelaçava, com as doces espalmas
com o abraço cheio de chama
que sufoca, mas faz respirar e expirar
o que me sufocava, era este mundo onde todos
são feitos de nada, em seus corações
em suas mentes
em suas mãos
sem ações
os seus olhos, me acalmavam sem mais palavras
com o brilho de ofuscar qualquer claro
qualquer carro, faróis
dois holofotes, que foram iluminando minha vida
que parecia um labirinto
sem saída
mas ao colapso da tristeza
à tristeza, da tristeza
se fazia alegria, pois ela me contagia
eu me sentia, como a rosa que brocha
com o mais fértil pólen, pó das estrelas
a infinitude de se fazer conforto, presente
falar quando não há oportunidade de olhar
me escrever, sem orgulho, sem temor
o dourado de seus cabelos
me perdia em paixão remota
dos mais apaixonados
de Shakespeare
de Romeu
de Julieta
até o veneno deste mundo
não ser capaz
de nos matar
no amor, de tipo desigual
na bela cidade, chamada amizade
chamada compromisso
ofício, sem nenhuma precisão
espontaneidade, em qualquer emoção
que se faça verdade
oh, mas ela me confortará
quem sabe.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Anseio
A vida anda meio chata
a vida não praticamente
mas, a minha vida
ora, todos têm seus dias ruins, a vida nunca foi, não é, e nunca será um conto de fadas
No tempo que é uma eternidade, em cada segundo de vontade
no tempo, que é uma efemeridade, passa tão rápido em uma década
em menos de um século
talvez a vida que demore, e a morte seja muito apressada, na estrada
nasci, cresci, descobri, aprendi, e ainda não foi o bastante, e nunca será
são sonhos que já não cabem em mim, profissões e desejos tão lindos
mas não posso ser tudo, nem conhecer quase tudo, seria absurdo
mas o bastante é tolerante, incomodante é a ânsia
de aproveitar tudo em um só dia, um só ano
não é assim que se faz, mesmo que você pareça capaz
mas posso ser muito feito de pouco
de momentos
de risos expostos
o que ter para anseio
não me faltará
novo, adulto, velho
não obstante
a morte chegará
e eu, quero aproveitar
antes que ela devore seu prato.
em menos de um século
talvez a vida que demore, e a morte seja muito apressada, na estrada
nasci, cresci, descobri, aprendi, e ainda não foi o bastante, e nunca será
são sonhos que já não cabem em mim, profissões e desejos tão lindos
mas não posso ser tudo, nem conhecer quase tudo, seria absurdo
mas o bastante é tolerante, incomodante é a ânsia
de aproveitar tudo em um só dia, um só ano
não é assim que se faz, mesmo que você pareça capaz
mas posso ser muito feito de pouco
de momentos
de risos expostos
o que ter para anseio
não me faltará
novo, adulto, velho
não obstante
a morte chegará
e eu, quero aproveitar
antes que ela devore seu prato.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Morto
Não quero ser quem sou, agora
Quero ser você
Que consegue pisar, amassar, partir.
Não quero ser quem já fui, ontem
Quero ser você
Que consegue levantar, abrir os olhos e não não sentir vontade de fechá-los.
Não quero ser quem serei, amanhã
Quero ser você
Que consegue ser feliz, e não se importar, com os problemas que te assolam
Quero ser eu, hoje
como sempre fui
acho que esta é minha mente
ou deve está dando uma volta
por aí
rodopiando
tomando álcool
ou na igreja
fora desta dimensão
ou no necrotério
esperando por vermes
por ficar
a sete palmos abaixo do chão
onde parece bem melhor
quem sabe lá, eu faça o que quero
ou meramente
não faça nada
Quero ser você
Que consegue pisar, amassar, partir.
Não quero ser quem já fui, ontem
Quero ser você
Que consegue levantar, abrir os olhos e não não sentir vontade de fechá-los.
Não quero ser quem serei, amanhã
Quero ser você
Que consegue ser feliz, e não se importar, com os problemas que te assolam
Quero ser eu, hoje
como sempre fui
acho que esta é minha mente
ou deve está dando uma volta
por aí
rodopiando
tomando álcool
ou na igreja
fora desta dimensão
ou no necrotério
esperando por vermes
por ficar
a sete palmos abaixo do chão
onde parece bem melhor
quem sabe lá, eu faça o que quero
ou meramente
não faça nada
Paraíso
Quando você deseja ser dono de um coração de pedra ou de gelo
de uma mente sem sentimentos
Algo incomum aconteceu
mas ninguém lhe amará
com quem não foi, não é
mas será
você se sente ridículo
quando tudo na sua vida só anda para trás
uma ré constante, topando em tudo e em todos
tudo quebra, tudo erra
ou quase
a sensação de viajar ao seu interior é fascinante
absolutamente amante
uma aventura de loucuras
surreal
onde erros são consertados
concertos são apreciados
circunstâncias são adiadas
alteradas
o paraíso
oh! desejos realizados
ah! porém fora, é só tristeza
desilusão, para quem é são
a quem se diga, saber o que é a raiva e o ódio
e por ser gente, descontente
não sabe definir o amor
nem o que sente
ao passo estreito
em cima
do precipício
mas você percebe
que já caiu faz tempo.
de uma mente sem sentimentos
Algo incomum aconteceu
mas ninguém lhe amará
com quem não foi, não é
mas será
você se sente ridículo
quando tudo na sua vida só anda para trás
uma ré constante, topando em tudo e em todos
tudo quebra, tudo erra
ou quase
a sensação de viajar ao seu interior é fascinante
absolutamente amante
uma aventura de loucuras
surreal
onde erros são consertados
concertos são apreciados
circunstâncias são adiadas
alteradas
o paraíso
oh! desejos realizados
ah! porém fora, é só tristeza
desilusão, para quem é são
a quem se diga, saber o que é a raiva e o ódio
e por ser gente, descontente
não sabe definir o amor
nem o que sente
ao passo estreito
em cima
do precipício
mas você percebe
que já caiu faz tempo.
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