quarta-feira, 30 de julho de 2014

Imperfeita

Não procuro o que há de melhor, não procuro o perfeito.
O perfeito é um saco, me enche a paciência e me entedia.
O simples e sutil incrivelmente me fascina, me convence. 
A tristeza certamente é uma zona confortável de onde 
quero sair, porém não quero. 
Mas se for necessário para encontrar você, 
permanecerei aflito, ansioso, tentando ver a luz na penumbra.
Talvez eu tenha deixado-a ir, mas por que eu faria isso?
Ela se foi, e está em todos os lugares que não fui, em todas
as palavras que ainda não disse, em todas as coisas que
ainda não aprendi. 
De fato nunca fazemos o que queremos,
nunca somos o que queremos, nunca agimos como queremos.
E nesse não fazer, eu perco você para minha estupidez.
Nessa manhã fria e nublada, ponho um pouco de café puro,
sem açúcar, porém menos amargo do que sua ausência, do que seu 
desconhecido.
Eu adoço um pouco, pois de amargo basta isso, isso de não conhecer você. Imagino como seria eu, você, nós.
Um farto do outro, possuir você em demaseio, até me causar
ânsia de vômito. 
Até ter ataques e ser atacado por você, 
com um sufocante abraço de comer cabelo.
Ah! Que doce abraço, tão utópico. 
Mas doce mesmo é esse seu jeito, 
de ser perfeitamente, imperfeita.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sexta-feira

Nesta sexta-feira, somos as pessoas  zonzas, sem nada a fazer.
Talvez eu tome um milk-shake, talvez eu tome coca-cola, talvez eu tome café mesmo, tanto faz como tanto fez, mas quem se importa?
Talvez não seja a vontade de ter tudo como eu quero, mas que egoísmo!
Você fica num estado de ambivalência, sem querer ter saída, mas você tem.

Nesta sexta-feira, aproveite sua juventude, mas não seja epistêmico, acredite, o melhor é agora ou talvez não haja o melhor, há o menos pior, e o pior pior.
Talvez nada mude, mas tudo muda. 
Falta-me o fôlego, quando penso no futuro, por que tanto me perturbas? 
Penso nisso todas as vezes que escovo os dentes, desde os seis anos, quando adorava a escola e já pensava nisso, juntando a dúvida de qual cor do power ranger escolher, qual desenho pintar, formavam minhas três preocupações.

Nesta sexta-feira caótica, entediante e remota. 
Todas são iguais, tem um silêncio infernal, repleta de ausência e luzes, mas por que não consigo dar passos até elas? 
A verde é minha predileta, é a que mais me chama a atenção, a mais ofuscante.

Nesta sexta-feira, vamos sair, chame seus amigos, aonde estão? 
Parece que saí do caminho da luz, estou no obscuro novamente e olhem só, escovando os dentes.
Ouço um som eufórico, talvez seja o ''som da sexta-feira'', bem distorcido por sinal, mas não me parece nada convidativo, a nostalgia também estava presente.
O momento de mais choque foi quando olhei o calendário e percebi, que nem era sexta-feira.

domingo, 27 de julho de 2014

Sorvete de limão




Um dia saí para comprar sorvete, pedi de limão, tinha romeu e julieta também, eu pedi, mas odeio goiabada.
Na volta para casa, quase chegando à minha quadra, quase terminando o meu sorvete, na metade da última bola, que era a de sabor estranho, não convencional(queijo em sorvete, normal), eu tropeço, e deixo, na verdade eu não deixo, o sorvete cria vida própria e salta da minha mão, caindo bruscamente sobre o chão empoeirado, estagnando minha ânsia de comer a casquinha. O dia escaldante que me atordoava, fazia o sorvete derreter lentamente, de repente o sorvete começa à se configurar, e inundar a rua, o bairro, a cidade, e todos se transformam em uma matéria só, até eu, causador daquilo tudo, utopia sempre foi minha fascinação, e poxa, eu estava vivendo-a, será? Fico imóvel, vendo isso tudo acontecer, enquanto aprecio minha aparência de sorvete, todos são sorvete, os cachorros deslizam como loucos pela rua, de sorvete, eu corro, e encontro, alguém, que vem me abraçar, como se nos conhecíamos há um bom tempo, ela me diz que, ficará comigo, e jamais me abandonará, até que algo explode, gerarando um vácuo, perdido, com frio, avisto partículas de sorvete, e uma única estrela, longe, que se paga, simultaneamente me deparo com o sorveteiro, me perguntando: já decidiu o sabor? Sim, limão, aliás, tem romeu e julieta?


Agulhas e lágrima

Oi, como você está?
Uma pergunta que nem sempre a preocupação é verdadeira, nem sempre a resposta é verdadeira,  ou talvez não haja resposta.
Sabemos que, gera conflitos internos devastadores. Seria 30 minutos o necessário para exclarecer o que há, o que seria reagido de críticas e julgamentos pré estabelecidos de forma voraz.
Nada está bem, nada vai bem, onde estará a próxima saída?
Todos estão contra tudo, contra você, ninguém entende você, e o absurdo agora te convence, que não é mais absurdo. Será nele que você se confortará, estabelecerá seu futuro, seu presente.
Você se sente preso, isolado, sendo perfurado por mil agulhas, numa- banheira cheia de água,  com temperatura à -3 °C, você anseia pelo calor, pelo movimento, pelo viver. Nada te agrada, nada te anima, nada, é apenas o que você tem.
Você percebe que o que lhe resta, é esperar, e o pensamento de que isso, também pasará.
Desesperadamente você tenta buscar na imaginação,  tudo que você precisa,  tudo que você quer, torcendo para se tornar real, infiltrado em devaneios exacerbados, os quais você tira um para dançar, em passos e giros loucos, você cansa, hesita, embalado por esses sonhos.
O sentimento de solidão que você despeja de forma ardente, em quem mais se importa com você,  mas você se acha um verme,  a culpa já não cabe completamente em você,  se torna muito cansativo,  você se acha peculiar. mas depois de muito ter passado, você tenta mentir para si, acreditando erroneamente que estava certo, com um gosto de morte que parte do coração, uma lágrima quente escorre beijando seu rosto. Aproveite se você pode abraçar alguém, que não esteja nos seus sonhos.
Eu estou "muito bem", obrigado.

Agonizando

Já não posso suportar, esta mentira desencadeada.
Já não posso suportar, esta falta de palavras escolhidas.
Já não posso suportar, esta falta de semântica genuína.
Já não posso suportar, esta regressão, que se estende como um sismo sobre minha mente.
Já não posso suportar, esta nostalgia que não posso controlar, que se esconde atrás de meus olhos.
Já não posso suportar, estas ideias frívolas, que nada dizem, mas que são aceitas.
Já não posso suportar, esta voracidade perturbadora, que parte do outro, em direção de meu tórax.
Já não posso suportar, este cheiro de espera, de nada vai, nada vem, tudo fica.
Já não posso suportar, este preço estabelecido, desses produtos banais, dessa rotina que odeio.
Já não posso suportar, este café amargo, que nunca é adoçado.
Já não posso suportar, este café doce exageradamente, que nunca esfria.
Já não posso suportar, este livre, em cativeiro, o fim se aproxima.
Já não posso suportar, este tempo, que de minuto em minuto, está me matando.
Já não posso suportar, este sensação de sempre estar sozinho, rodeado por multidões.
Já não posso suportar, o simples fato de estar suportando.

Meteoritos


Tudo está desmoronando, tudo está se acabando, tudo está impulsionado à morte constante, à destruição, ao sopro, ao piscar de olhos.
Você tenta não lembrar do que houve, pelo que já passou, mas a memória está com você, parecendo ser "útil" agora, você torce para ser acertado por um coco na cabeça,  mas tudo que a acerta são as lembranças.
Não há ninguém para ajudar você, você está sozinho, tudo que você faz, parece em vão, você pensa seriamente em desistir, por que parece que você só vai para trás.
E se o melhor for agora?
Que diabos! Não dá para acreditar, se está tudo tão mal, tão vazio, tão morte.
Crie luzes, estrelas,várias estrelas, uma chuva de meteoros, somente sua, sem que as transforme em meteoritos, siga cada uma, deixe as pessoas de lado, faça amizade com os monstros pelo caminho, eles ajudarão você.
Ou talvez tenha que destruir tudo, o planeta, construa outro, faça uma explosão.
Não ser bom em nada, se torna uma coisa inútil, deixando você inerte, afinal, isso  não é ser bom em alguma coisa? 
Mas não tão bom assim, talvez nada esteja prestes a mudar, mas ainda sim você poderá não ficar para baixo, mas algo parece move-lo, puxa-lo, e você vai afundando, como se estivesse numa areia movediça de chocolate, de tristeza infinita, perdendo a respiração, esmorecendo, nessa doce inibição psicomotora, esperando...
Esperando por?

O amor em declínio

Estive pensando no ontem,no antes,no antecessor, nos velhos tempos,na infância.
Quando ficava admirando os seus cabelos castanhos claro, ao pé de dourado, que me fascinavam, me seduziam, me amavam.
Nada era fácil, nem mesmo meus cadarços desamarrados, pisados, cobertos de poeira.
O frio inconveniente que me secavam os lábios, violando minha barreira cutânea, formando leves rachaduras.
Triste melancolia que se passava ao meu redor, que me faz virar de repente, me fazendo observar o amigo que passava, me fazendo enganchar a unha mal cortada, na costura solta do meu cardigã, próximo do botão solto. Fecho o botão.
O olhar súbito que nos encaixa, nos afasta, nos embaça, nos entrelaça, nos manipula.
O amor está presente, em você, em mim, na sua pele pálida, na sua fascinação, no seu encanto, no seu estímulo, no seu gorro, na nuvem que nos pesava aos olhos, súbitos olhos, em meu amigo, que nos observava.O amor, parece ser ele que me arranca a clavícula, depois minha mãos, de forma rígida, faz espirrar sangue, em meu amigo, no guarda-chuva dos tutsis do genocídio em Ruanda que ali passavam. Pareciam entender. Agora olho para você. Onde está você? Só encontro o amor, o sangue, uma memória vaga de abraços sufocantes, que vai evanescendo, o tânato me domina, mas por que não dominaria? canso disso.
De todos os amores que suportei, esse foi o que me causou menos danos. meu amigo desiste de me observar.
O delírio é o meu amigo.

Prédios e sangue

Não consigo dormir.O que há de errado?São apenas 02:00 horas da madrugada de hoje, ou de amanhã, ou de ontem, sei lá.O que te faz deitar a cabeça pesada sobre o travesseiro,  virar para todos os lados, agarrar  a almofada e não conseguir dormir?Batendo no acomodante colchão, com seu cotovelo cansado de todas as posições que foram frutos de suas tentativas frustradas de querer dormir, descansar, sonhar, acordar.O som da chuva vira meu inimigo, a brisa fugaz, meus pés calçados com meias, frios e ásperos, formam a tríplice, "obrigado"! Mas eu não consigo dormir.Sinto vontade de chocolate quente, sento-me na cama espontaneamente, ponho o pé esquerdo no chão frio, mas sou vencido pela preguiça, que conta a quantidade de passos até a cozinha, desisto.Agora rinocerontes caóticos e robóticos, de forma peculiar, destroem cidades, minha cidade,meu bairro, minha rua, assustam meu cachorro, destroem minha casa.Não sinto medo.Eu choro, por meu cachorro.Agora estou em cima de um prédio, vou devagar até a beira, entrelassando os pés, ainda frios, mais frios, penso no meu cachorro. Um prédio de 200 metros de altura, com luminosidade de arder os olhos, que se destaca no dia cinza.Existem vários desses por aqui, não sei por que existe uma placa informando a altura do prédio, ao lado de um outdoor sensacionalista, com um comercial de travesseiros, que diz: "Sem o sono não há sonhos, não há estabilidade, não há felicidade, não há vida".Algo me empurra, parece ser o sono, que todo esse tempo me procurava.Caio espantado, o prédio explode, todos os prédios explodem.Me encontro com o chão, que parecia me esperar anciosamente. Sinto fraturar primeiramente meu maxilar, sangue forma poças, escorre sobre meus olhos devagar, ouço o estalar amiúde de meus ossos, ouço aplausos!
Eu durmo.

Estupidez

Onde encontro a felicidade? Alguém já chegou até ela?
Ou será a simples confusão psicológica de que fama, dinheiro, e prestígio nacional e internacional seja essa coisa tão bonita?
A mediocridade e a idiotice me causam vergonha alheia, sobre as concepções do que seja a felicidade, com a ganância e voracidade da estúpida natureza humana.
Como disse Rousseau,  "A felicidae não é um estado estável para o homem".
Mas continuam os conflitos,  transformando o mundo em um caos, com um verdadeiro colapso de irmandade.
Pobre homem, mal sabe ele, que a felicidade está em todos os lugares, à qualquer momento.