quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Tela em preto e branco

Pouco a pouco vamos morrendo, cada segundo nos consome.
Na tristeza dessa proeza que se chama viver.
Muitos dizem que o sentido da vida é fazer dela a maior arte de todas através do amor. 
A vida é uma tela em preto e branco, o amor seria a aquarela.
Há mais amor no silêncio e na aproximação do que em falácias estapafúrdias ou no beijo que desce rasgando.
Não quero estar longe, não quero sentir o que chamam de saudade, então por favor não venha, se vier, esteja sempre ao meu lado, não precisa falar nada, ou então fale.
Isso se deve ao fato de que em certo estágio relacional, palavras não expressam toda a infinitude de seus sentimentos, porém há o sentir, o doce sentir.
Desejo não ser abrigo desta moléstia que inibe sua razão e te leva a infringir princípios, retirar armaduras e guardar armas.
Seria ele o analgésico para a alma?
Por meio de ilusões e frustrações persuasivas?
Alguns dizem que quem não foi habitat do amor, não sabe a sorte que tem. 
Outros defendem que os indignos do amor estão  perdendo a fascinante magnitude que nem os mais  sábios puderam descrever com exatidão, pois não haviam adjetivos e sensações o suficiente.
Bem, acho que sou um sortudo.

Um comentário:

  1. Sortudo, sim, já que o amor sentimentalista atrapalha tirando a razão que nos mantém vivos. Porém, o amor de companhia é o que ainda tem uma chance de sobreviver sendo bom.

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