sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Absoluto

A intolerância é a mãe de todos os males. Parte dela e de intrínseca involuntariedade de natureza humana, a arrogância de não aceitar o outro, as diferenças sociais, econômicas, políticas, estilísticas, de descrenças e crenças ( o ateísmo forte defina sua corrente filosófica como crença na ausência de uma deidade). Se tocássemos nossa alma ou ao menos a superfície dela, nossa verdadeira essência, nossos reais desejos e ambições, insatisfações pessoais mantidas e cobertas como poeira debaixo do tapete, haveria uma averiguação e suavização dos conflitos humanísticos, gastaríamos mais tempo nos preocupando com nós do que com o outro e, dentro de nós, encontraríamos também o ''outro'' e o inesperado aconteceria, pois qualquer um tem parte do ''outro'' em si, querendo ou não, todos vivem em uma sociedade e, não sobreviveríamos sem ela. Ame seu próximo, ame os distantes, ame as pessoas, e verás que elas ao contrario do que tu achastes - tu, um pobre amante da misantropia - pessoas podem ser as melhores coisas do mundo e deveriam ser, sensações insubstituíveis que cachorros substituem, a vida é repleta de antíteses, e deve prevalecer o bom de qualquer uma, assim como os paradoxos, seja tolerante e não insulte a si, envergonhando a raça humana ainda mais. Evite o absoluto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Horas

Estou cansado
e não sei até onde ir
onde desistir
e onde recuar
onde não parar
onde persistir
não quero ficar em casa
e estou entediado como um relógio
que responsabilidade?
que responsabilidade!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

As partes de cada cômodo

À noite, sozinho no quarto ou qualquer outro cômodo da casa
o silêncio assusta
sou eu em si
sem o outro para desviar o caminho retilíneo que leva a compreensão do ''eu sou''
tudo é mais assustador
até o silêncio parece chorar e se debruçar num porre de quatro dias
as paredes imploram por mais vida, sofrem como alguém que está a não amar
o teto suplica para desabar e terminar com sua persistência involuntária
e o chão vai me engolindo
pouco a pouco
até me sobrar somente uma mão para escrever.