terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sozinho eu vou
fazendo tudo
que alguém faria
se não soubesse demais
ou soubesse de menos por achar que sabia de mais
dessa vida ninguém se distrai
você nunca fugirá dela
a não ser a morte
mas não estive muito afim dela ultimamente
posso ver uma luz no final do túnel, que não tem fim fim fim
não sei onde eu pararei
mas seguirei a luz
para alguém que tem nictofobia isso é o máximo
de zero
eu espero
o vazio = nada
que estraga
o zero
eu espero
que essa vida
seja diferente
de tudo que eu espero
e seja igual
a tudo de bom
que seja eterno
o terno
que visto
para o cemitério
onde os números
racionais 
não seja uma  fração
mas metade metade
do meu coração
onde haja luz
e não haja escuridão
''é ruim em''
                   diz o poeta 



sábado, 22 de novembro de 2014

Desapontando

Desapontado eu vou, andando nessa estrada que parece não ter fim.
Essa rota chamada tristeza, essa zona de conforto repleta de lembranças e sentimentos, que se misturam e formam uma sinestesia tão amarga, tento evitar o memorialismo, mas ele me persegue e sempre me capta, como se não tivesse mais nada para fazer.
Desapontado eu vou tentando encontrar algo que me faça ir além, e acreditar que algo vai mudar, sinto o medo que nosso amigo Chico Buarque sentiu, tão longe de ser incerto, as coisas mudaram.
Desapontado eu desaponto todos ao meu redor, que esperam demais, do que parece de menos para eu dar a eles. Fico desapontado com tudo que não concorda comigo, com qualquer reformulação na gramática ou na  filosofia emblemática, que os conceitos tem de ser cada vez mais medíocres para se dizer social, de que tudo muda, tudo mudou e tudo mudará, certamente não melhorará socialmente, ecologicamente, historicamente.
Mas estarei a desapontar principalmente a vida, por não saber aproveitar a arte de número zero, ainda não descobri como aproveitá-la, por isso vou carregando-a na parte posterior de meu corpo.
Pior seria se eu fosse um daqueles que resume a complexidade da vida ao bem e o mal, merecemos mais, para não sermos tão desapontados a ponto de não conseguirmos essa resposta.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Resposta

Minha maior tristeza é, não menos, que enfrentar a realidade
de nunca ter sido amado reciprocamente ou platonicamente.
Minha maior alegria também é essa, alegria falsa essa minha,
já que também sofro por não amar.
Entre sofrer por amar e ser amado ou amar e não ser amado
ou ser amado e não amar, prefiro agraciar a existência de
um alguém para atribuir a culpa de minha dor, assim a
lágrima teria sua resposta.

sábado, 1 de novembro de 2014

O Relógio Não Espera

O relógio não espera e nem todo mundo vive da epifania.
O presente deve ser vivido, pois este é a construção do futuro, a epifania é um luxo mental que só deve ser realizado por aqueles que já terminaram sua construção.
Seja menos memorialista, observe o  presente e veja as oportunidades de conseguir material para seu castelo, edifício ou uma simples casa. 
Deixe de lado este saudosismo exacerbado e repara na arquitetura de sua construção, está indo da forma que você quer? Como já dizia João Cabral de Melo Neto, você é o engenheiro de sua vida e a cada hora que passa, cada conversa, cada estudo, cada sonho, quaisquer amigos e paixões fará parte de sua construção. 
Repare ao seu redor, olhe para si, você tem utilizado os alicerces mais fortes para sua construção? Não está utilizando barro ao invés de cimento? Está desenvolvendo algo forte o suficiente para suportar várias tempestades?
Não?
Não se permita crescer, envelhecer e depois de muito tempo o sonho ainda ser um sonho.
Se atreva, faça o que todos duvidam que você seja capaz de fazer, transforme algo louco em algo comum, seja inovador, vá tão longe que nem mesmo um trem bala poderá lhe alcançar.
A simplicidade sempre traz consigo algo de novo, que lhe trará experiência através do erro.
Seja um criativo, louco, seja criança, mas agora com a possibilidade de realizar e de viajar.
Não fique observando o relógio, note que ele trabalha preguiçosamente quando observado, ele se intimida, pois o tempo não é feito para ser observado, mas para ser analisado e vivido.
Não permita chegar à velhice e sentir remorso, remorso este fruto da observação de que a sua construção está pela metade e a vida está acabando, já não há mais tempo, o lado de cima da ampulheta esvaziou.
Quais são seus planos? Realize-os.