quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ainda com frio

Ela estava longe de querer um sentimento, mas aos poucos ela foi ''aprimorando'' o que sentia.
Se sentia estranha e indiferente, queria algo que a fizesse bem, somente, depois de ter seu coração partido, desacreditava em algo chamado amor, e já nem sabia mais o que era. Mas certo dia acordou disposta a aproveitar sabe-se lá o que ela sentia, mas seu coração já não era tão frio como antes.
Ela acordou cedo, como de costume, se arrumou, vestindo o seu mais belo vestido, aquele com florzinhas sobre todo o tecido, e as botas as quais melhor lhe calçavam, tomou uma boa dose de café, na sétima xícara, assoprou o vapor que lhe incomodava, embaçando as lentes de seu óculos (o que incomodou mais), utiliza o lenço em seus cabelos para limpá-los, um belo lenço, tão belo que não se prezava a tal papel, mas ela não se importava, numa manhã de sábado fria, sem companhia, por enquanto.
Seus pais estão viajando, e a casa não perde a graça por causa disso, ela não gostava tanto da companhia dos mesmos, mas seus olhos claros, como a mais bela árvore à luz do sol, suplicavam por companhia, tudo que não queria era ficar sozinha, ter um lugar para ir.
Já não tem tantos amigos, mas estaria disposta a fazer mais, pelo menos nesse sábado.
Ela pega uma tesoura, do nada vem em sua mente a ideia estapafúrdia de cortar os cabelos, ruivos como o mais belo barro.''Estive muito tempo com este cabelo, já é o período de final de ano, se terei um ano novo, que não me trará um coração ou uma mente nova, nem bagagens nem chaves, darei a ele o privilégio de achar que me trouxe ao menos um corte novo'', pensou hesitadamente.
As mechas que caem no chão, que até ontem eram lágrimas, agora são feixes de outra coisa, talvez ainda fossem lágrimas, mas metaforicamente.
Já são quase 11;30 horas, se senta na sacada e aprecia a brisa da chuva que se aproxima, fez-se vento para levar embora os resquícios sobre seus ombros levemente curvados, como esculturas gregas.
Sua pele tão alva, já não suportava a vida que levava, era tana tristeza sobre sua mente que escorria para a epiderme, já não bastavam  as lágrimas? e os  arrepios que o frio causava.
Mas ela só  tinha 19 anos, se sentia tão velha que mal suportou olhar-se no espelho enquanto cortava os cabelos, acima dos ombros. Ela recebera um convite para uma festa, que queria ir, mas sua mente só gritava por não, e se ela se apaixonasse novamente? E se sua mente, mente? Ela  devia aproveitar o que sentia, sem ao menos saber o que era. Mas ela aceitou depois de pensar três vezes, e embaçar os óculos novamente, enquanto tomava café com torradas e manteiga, não seguia bem a rotina de alimentação, afinal, não tinha ninguém casa, fria casa.
À tarde, dormi, com medo de sofrer com o tédio, pois queria que a tarde fosse tão efêmera quanto a ligação que recebera, em forma de convite, dele, que lhe fazia tão bem, mas ela fazia ''disso'', que ambos sentiam, uma roleta russa.
Quando acordou aflita, sem saber se o que tinha era um sono, esperou um pouco, para tal certificação.Se higienizou, se arrumou, usando um vestido qualquer, mas ainda sim muito bonito, não queria fazer dessa saída algo especial, pois não queria borrar a sua maquiagem, tinha dado tanto trabalho. Indo à estação de metrô mais próxima, Santa Madalena, espera o local desejado enquanto pensa em 31 de dezembro.
Quando chegou à festa, encontrou quem tanto queria, parecia mais um baile (a festa, não ele).
Um baile onde todos estavam muito  contentes, pelo menos superficialmente.
Ela dançou encostando sua cabeça cansada no ombro dele, como se fosse um travesseira sobre a cama, faltou dormir. Ela encostou seus lábios onde almejava, ele também queria, ao erro do passo da dança, a lágrima sobre seu terno deprimido, não escondia o que sentia, talvez a lágrima fosse de felicidade, a lágrima dele era quente, a ponto de aquecê-la, tocando-o o pescoço, agora um pouco à mostra, os faziam sentir numa estrela sem fim, brilhante e quente, num planeta frio e escuro, os faziam sentir os milésimos, os segundos, os minutos, cada um atingindo-os como uma bala, uma faca.
Eles descobriam o novo ano de forma diferente, compreendiam a efemeridade do tempo, agora que não quer mais voltar para casa. Mas a lágrima dele, a qual a aquecia, não era de felicidade como imaginara, era de tristeza, de quem peleja para ter coragem, de não querer perder alguém.
Ele gostava de outra garota, seus 21 anos não serviam para nada, parecia ter 13, como quem não sabe de quase nada sobre a vida. Seu coração falava venha, mas sua mente dizia vai, eles que não se entendiam, agora ele sabia o que sentia, ele se encontrando, fez-a se perder, mas ao menos na despedida, na ida, ele revelou, e ela também.
Mas ela chorará, irá continuar a amar, o próximo, involuntária reação, tudo que ele queria era perdão, e ela não o podia culpar. em parte.
Bom, agora ela estava em casa, com o coração partido novamente, maldição chamada amor.
Ao menos no dia primeiro de janeiro, ela tinha um corte de cabelo novo.
E ela não tinha utilizado seu melhor vestido mesmo.
Mas agora ela sente um frio novamente.
Quem dera, fosse somente externo.


Chuvas e chamas

Quando todos escolhem não lhe dar a atenção, tudo não vem a prazo, os problemas em minha mente vêm como uma avalanche, me tornando frio e incrédulo. Mas como tudo passará, e tudo passa, a tristeza no  cantinho da minha mente, chamado memória me traz  alegrias e tristezas, em maior parte uma nostalgia agonizante, como toda boa lembrança, tenho vontade de viver os momentos novamente, mas aproveitaria mais, não na singela epifania que nos traz o remorso, mas se eu errasse tudo novamente por você? E se a razão que toma conta de mim fizesse as malas novamente?
Meu sistema límbico numa batalha constante sai de vencedor, ao córtex pré-frontal, na divisão geográfica cerebral eu vou me perdendo e entendendo.
Entendido, porém perdido?
Mas ainda lembro daquela tarde, fria, a qual corríamos contra o vento em direção à lugar nenhum.
As mãos que se espalmavam se entristeciam no desdobrar de dedos. Quando eu me escondi, você me procurou, não encontrou-me, mas eu lhe achei novamente, você falava para eu nunca mais fazer aquilo, e o tempo não era nosso aliado. Mas o dia continuava frio, fomos até a parada de ônibus mais próxima, tudo que queria era ir para casa com você, com um sentimento que me dessecava, mas era bom. Sabia que não podia dormir durante o trajeto dessa vez, não queria correr o risco de abrir os olhos e não lhe encontrar. Mas seus olhos me devastavam coma chamas, uma floresta em minha mente, onde todos os animais fugiam, mas eu, continuava a queimar, a incinerar, até morrer.
Mas continuei a achar que estava vivo, e continuei. Chegando na rua da minha casa, houve despedida, aquela noite você não podia ficar. No outro dia eu percebi, que não só eu estava morto, já era de se esperar, como sentimentos sobreviveriam sem uma dose diária, foram sumindo, até eu me sentir vivo novamente, com o coração reflorestado, com fauna e flora, esperando por chuvas, e não por mais chamas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ano novo

Este é o novo ano
não me sinto nele
me sinto ainda no ano velho
não sou deste ano
ele começou errado
nem parece ano
parece mês
começou sem chuva
começou estranho
a pizza estava ruim
parece mais fácil a raiva
do que a felicidade
um sorriso, que anceia por liberdade
neste ano, desejo que todos os desejos de anos anteriores se realizem
meu coração se entrelaça em caminhos com a dor
e o calor
minhas narinas entupidas me fazem agonizar
o que escorre delas parecem machucar
mas o novo ano que não é novo
não me trouxe um coração novo
nem uma mente nova
são as mesmas lembranças
embrulhadas com outras embalagens
não há o que esperar de estranho e esplêndido
mas as melhores coisas são apreciadas na ausência de expectativas
os verões que não me aqueceram
as chuvas que não me molharam
não me esfriaram
o vento que não me foi soprado
o roupa que não me fora comprada
talvez este ano
eu, velho
me sinto comum neste ano, novo-velho
mas ele me trouxe uma sensação
de profundidade
a intensidade de um oceano
com todos os seus mistérios
claro em superfície
vai escurecendo
se tornando perigoso
arriscado
com o calor do sol
o brilho da lua
eu vou viajando
no meu barco
tão frágil, instável
quem sabe na dor da partida
no soluço agonizante do mergulho
um submarino venha me socorrer
um ano cheio de surpresas
não espero nada, de tudo
a perspectiva que tenho
é de estar sem expectativas
espero ter prazeres inesperados
nos impulsos nervosos
no tempo que não foi
carrego comigo uma mala
uma enorme mala
onde caberá muitas alegrias.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Minha amiga

Quando eu estava em dias tristes
dias escuros como abismos 
uma amiga, sempre me confortava
me enchia de graça, mesmo quando não lhe prestava 
o meio o qual me encontrava, parecia uma rodovia sem fim
as luzes sobre meu coração
eram postas, por ela
em meio aos perdidos 
ela me encontrava
me entrelaçava, com as doces espalmas 
com o abraço cheio de chama
que sufoca, mas faz respirar e expirar
o que me sufocava, era este mundo onde todos
são feitos de nada, em seus corações
em suas mentes
em suas mãos
sem ações
os seus olhos, me acalmavam sem mais palavras
com o brilho de ofuscar qualquer claro
qualquer carro, faróis
dois holofotes, que foram iluminando minha vida
que parecia um labirinto
sem saída
mas ao colapso da tristeza
à tristeza, da tristeza
se fazia alegria, pois ela me contagia
eu me sentia, como a rosa que brocha 
com o mais fértil pólen, pó das estrelas
a infinitude de se fazer conforto, presente
falar quando não há oportunidade de olhar
me escrever, sem orgulho, sem temor
o dourado de seus cabelos
me perdia em paixão remota
dos mais apaixonados
de Shakespeare
de Romeu
de Julieta
até o veneno deste mundo
não ser capaz
de nos matar
no amor, de tipo desigual 
na bela cidade, chamada amizade 
chamada compromisso
ofício, sem nenhuma precisão
espontaneidade, em qualquer emoção
que se faça verdade
oh, mas ela me confortará
quem sabe.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Anseio

A vida anda meio chata
a vida não praticamente 
mas, a minha vida
ora, todos têm seus dias ruins, a vida nunca foi, não é, e nunca será um conto de fadas
No tempo que é uma eternidade, em cada segundo de vontade
no tempo, que é uma efemeridade, passa tão rápido em uma década
em menos de um século
talvez a vida que demore, e a morte seja muito apressada, na estrada
nasci, cresci, descobri, aprendi, e ainda não foi o bastante, e nunca será
são sonhos que já não cabem em mim, profissões e desejos tão lindos
mas não posso ser tudo, nem conhecer quase tudo, seria absurdo
mas o bastante é tolerante, incomodante é a ânsia
de aproveitar tudo em um só dia, um só ano
não é assim que se faz, mesmo que você pareça capaz
mas posso ser muito feito de pouco
de momentos
de risos expostos
o que ter para anseio
não me faltará
novo, adulto, velho
não obstante
a morte chegará
e eu, quero aproveitar
antes que ela devore seu prato.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Morto

Não quero ser quem sou, agora
Quero ser você
Que consegue pisar, amassar, partir.

Não quero ser quem já fui, ontem
Quero ser você
Que consegue levantar, abrir os olhos e não não sentir vontade de fechá-los.

Não quero ser quem serei, amanhã
Quero ser você
Que consegue ser feliz, e não se importar, com os problemas que te assolam

Quero ser eu, hoje
como sempre fui
acho que esta é minha mente
ou deve está dando uma volta
por aí
rodopiando
tomando álcool
ou na igreja
fora desta dimensão
ou no necrotério
esperando por vermes
por ficar
a sete palmos abaixo do chão
onde parece bem melhor
quem sabe lá, eu faça o que quero
ou meramente
não faça nada

Paraíso

Quando você deseja ser dono de um coração de pedra ou de gelo
de uma mente sem sentimentos
Algo incomum aconteceu
mas ninguém lhe amará
com quem não foi, não é
mas será
você se sente ridículo
quando tudo na sua vida só anda para trás
uma ré constante, topando em tudo e em todos
tudo quebra, tudo erra
ou quase
a sensação de viajar ao seu interior é fascinante
absolutamente amante
uma aventura de loucuras
surreal
onde erros são consertados
concertos são apreciados
circunstâncias são adiadas
alteradas
o paraíso
oh! desejos realizados
ah! porém fora, é só tristeza
desilusão, para quem é são
a quem se diga, saber o que é a raiva e o ódio
e por ser gente, descontente
não sabe definir o amor
nem o que sente
ao passo estreito
em cima
do precipício
mas você percebe
que já caiu faz tempo.