domingo, 27 de julho de 2014

O amor em declínio

Estive pensando no ontem,no antes,no antecessor, nos velhos tempos,na infância.
Quando ficava admirando os seus cabelos castanhos claro, ao pé de dourado, que me fascinavam, me seduziam, me amavam.
Nada era fácil, nem mesmo meus cadarços desamarrados, pisados, cobertos de poeira.
O frio inconveniente que me secavam os lábios, violando minha barreira cutânea, formando leves rachaduras.
Triste melancolia que se passava ao meu redor, que me faz virar de repente, me fazendo observar o amigo que passava, me fazendo enganchar a unha mal cortada, na costura solta do meu cardigã, próximo do botão solto. Fecho o botão.
O olhar súbito que nos encaixa, nos afasta, nos embaça, nos entrelaça, nos manipula.
O amor está presente, em você, em mim, na sua pele pálida, na sua fascinação, no seu encanto, no seu estímulo, no seu gorro, na nuvem que nos pesava aos olhos, súbitos olhos, em meu amigo, que nos observava.O amor, parece ser ele que me arranca a clavícula, depois minha mãos, de forma rígida, faz espirrar sangue, em meu amigo, no guarda-chuva dos tutsis do genocídio em Ruanda que ali passavam. Pareciam entender. Agora olho para você. Onde está você? Só encontro o amor, o sangue, uma memória vaga de abraços sufocantes, que vai evanescendo, o tânato me domina, mas por que não dominaria? canso disso.
De todos os amores que suportei, esse foi o que me causou menos danos. meu amigo desiste de me observar.
O delírio é o meu amigo.

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