domingo, 25 de outubro de 2015

Felicidade

Às vezes você  não quer perceber quem realmente é
às vezes fica difícil ser quem realmente é
algumas horas, alguns dias
você acusa, culpa e destrói
e demora perceber
que o culpado
sempre foi você

agora, suas mãos cansadas
e seus olhos cozidos
a tristeza vem à tona
como uma senhora no mais belo vestido

mas é preciso e necessário
sempre seguir em frente
contente, temendo somente
a perspectiva de não ser feliz

felicidade se constrói com alguém
ou sozinho?
Será a companhia a fonte inesgotável de felicidade
ou da solidão doce que arrupia
da  escrita que sorria
nem todo poeta sofre
mas toda solidão produz um.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cobertor

O descanso parece não chegar
e a calmaria só vem junto a você
a paz reside em você
e me reveste
me encobre
me torna dependente
e totalmente submisso
a um pensamento
a um esquecimento, que nunca será você


E quando estou prestes a cair
em uma rampa de uma caravela
em águas oceânicas tão frias e superficiais
se comparadas ao nosso existir
ao nosso ser
ao nosso viver
ao nosso tudo:
amor.

E quando estou prestes a cair
seus braços me erguem
e seus cabelos me encurvam
até um ponto infixo
gradativamente decorado
cada milímetro é um aflorado espiritual
e quando estou prestes a cair:
você me prova a leveza do viver
e da queda
me torno infinito
de coração ímpeto
revestido até as entranhas
por você.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Esquecimento inviável

Tentei uma prosa
saiu um poema
tentei uma coisa nova
o velho me veio à tona

tentei não te deixar dentro de mim
mas minha mente não aceita o poderio sobre ela
e se debruça perante seus cabelos
e meu ar parecem se petrificar
meus pulmões parece se dissecar

e de repente eu tento te esquecer
tento não sentir a luz nos olhos do coração
e de tanto tentar
eu desisti na milésima vez
de não olhar para trás

e me veio uma imagem sua meio desgastada
e um suave vento frio
me rodopiou
me tragou
me gerou um efeito borboleta
você parece ainda estar aqui
mas o que resta
são só lembranças
e
um cara qualquer
que ainda é seu

quem sabe.

Indo ao desencontro

Para onde iremos fugir?
Depois que todas as luzes que estavam ao nosso favor se apagarem
não teremos escolha
teremos que nos entregar
teremos que nos privar
teremos que ter
amor além de tudo
sobre tudo
e com tudo

Mas encontraremos a saída
a próxima estação
o próximo som repleto de luzes
ondas e ondas ao nosso redor
e os tambores soaram
os cegos acordaram

e se incomodaram
com a intensidade de nosso efêmero amor
até uma vírgula, um ponto
estaremos entre lençóis
nossas espalmas
nossos lábios
um dia se perderão.