terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Minha amiga

Quando eu estava em dias tristes
dias escuros como abismos 
uma amiga, sempre me confortava
me enchia de graça, mesmo quando não lhe prestava 
o meio o qual me encontrava, parecia uma rodovia sem fim
as luzes sobre meu coração
eram postas, por ela
em meio aos perdidos 
ela me encontrava
me entrelaçava, com as doces espalmas 
com o abraço cheio de chama
que sufoca, mas faz respirar e expirar
o que me sufocava, era este mundo onde todos
são feitos de nada, em seus corações
em suas mentes
em suas mãos
sem ações
os seus olhos, me acalmavam sem mais palavras
com o brilho de ofuscar qualquer claro
qualquer carro, faróis
dois holofotes, que foram iluminando minha vida
que parecia um labirinto
sem saída
mas ao colapso da tristeza
à tristeza, da tristeza
se fazia alegria, pois ela me contagia
eu me sentia, como a rosa que brocha 
com o mais fértil pólen, pó das estrelas
a infinitude de se fazer conforto, presente
falar quando não há oportunidade de olhar
me escrever, sem orgulho, sem temor
o dourado de seus cabelos
me perdia em paixão remota
dos mais apaixonados
de Shakespeare
de Romeu
de Julieta
até o veneno deste mundo
não ser capaz
de nos matar
no amor, de tipo desigual 
na bela cidade, chamada amizade 
chamada compromisso
ofício, sem nenhuma precisão
espontaneidade, em qualquer emoção
que se faça verdade
oh, mas ela me confortará
quem sabe.

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